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A música tem diferentes significados e formas de ser propagada e utilizada nas mais diversas religiões desde os tempos mais remotos. Nos rituais religiosos a música faz parte do trabalho de ligação entre o homem e o divino. A linguagem contida na música traz consigo uma carga histórica e antropológica que nos possibilita analisar e buscar - no trabalho comparativo entre a música no candomblé e no cristianismo – uma estrutura comum aos diferentes rituais. Mesmo inserida em práticas ritualísticas diferentes, o uso da música como parte do rito e da crença nos permite perceber uma correspondência em sua utilização. Freud afirma em Totem e tabu que as primeiras práticas religiosas baseavam-se na animação. Um espírito pode migrar de um corpo
para o outro, e assim, através do uso da música e da língua, utilizando das diversas simbologias aplicadas à música e a sua prática, ligada ao inconsciente, pode-se atingir a sensação de transe. A forma da música no ritual religioso é anímica, isto é, faz uma operação de saber e de verdade através de um procedimento mágico transcendente. A música não se legitima enquanto instrumento de religação entre os homens e suas
divindades por uma relação causal, mas por semelhança e contiguidade. Nesse trabalho irei explorar e buscar entender os significados e as sensações produzidas por ela, e também as diversas funções atribuídas pelos praticantes destes rituais. Tem como objetivo analisar e buscar entender o motivo da forte presença da música e suas funções nos rituais do candomblé e na igreja católica em redenção, suas simbologias e significados. |
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