| dc.description.abstract |
As comunidades quilombolas, geralmente, se localizam em áreas rurais e são formadas por
descendentes de escravos, na qual ainda se encontram em condições de vulnerabilidade. Ao
analisar essa situação que os quilombolas se encontram, é preocupante quando se pensa na
possibilidade de haver indivíduos com deficiência nessas localidades. O estudo tem como
objetivo analisar a acessibilidade ao serviço de saúde das pessoas com deficiência de
comunidades quilombolas no Ceará. Trata-se de estudo exploratório, descritivo, transversal,
com abordagem quantitativa realizado nos meses de maio a julho de 2021, em três comunidades
quilombolas do Ceará. Para a coleta de dados foi utilizado questionário de Identificação da
Pessoa com Deficiência e as entrevistas tiveram duração de 30 a 60 minutos. Participaram do
estudo 18 pessoas, na qual teve-se a prevalência na faixa etária de 4 e 23 anos (61,1%), de sexo
masculino (94,4%) e cor de pele preta (66,7%). Quanto ao tipo de deficiência, participaram de
forma igual tanto deficiente mental/intelectual quanto transtorno do espectro autista, ambos
com 33,3%. As principais dificuldades de acesso aos serviços de saúde observadas foram falta
de transporte (83,3%), locomoção e comunicação, ambas com 61,1%, e a barreira física obteve
menor porcentagem (27,8%). A maioria dos participantes não frequentam serviço de
reabilitação específico para a deficiência (72,2%), mas grande parte procura atendimento em
outros serviços de saúde (88,9%), sendo a UBS o primeiro serviço de escolha (77,8%). O acesso
aos serviços por moradores de localidades rurais, tende a ser utilizado com menor frequência
em virtude das longas distância que devem ser percorridas e escassez de meios de transporte.
No que se refere as comunidades quilombolas, essa situação de vulnerabilidade ainda pode se
intensificar diante da rotatividade de profissionais, baixa infraestrutura e preconceito por parte
dos profissionais, constituindo barreiras que podem prejudicar o acesso à saúde por parte desses
indivíduos. A prática discriminatória na atenção à saúde favorece o surgimento de problemas
de saúde, pois provoca a redução do acesso e, consequentemente, afeta na qualidade de vida da
população negra. Contudo, foi observado que há dificuldade no acesso aos serviços de saúde. |
pt_BR |