Resumo:
A responsabilidade com o meio natural e sua sustentabilidade são pautas do debate cotidiano.
Perceber e cuidar do meio natural é protegê-lo para esta geração e a vindoura. O objetivo deste
trabalho é entender a legislação brasileira e guineense, no que respeita à questão ambiental e
fomentar a discussão; reforçando a importância da reciclagem, o papel de catadores informais na
recolha de resíduos metálicos pós-consumo e como essas práticas contribuem na proteção do
ambiente e fortalecimento da renda familiar destas pessoas; especificamente, a questão de
reciclagem no Bairro Park II, em Bissau, Guiné-Bissau. A concepção metodológica é baseada na
leitura da bibliografia, sobretudo dos artigos, livros, notícias, relatórios e aplicação de questionário
com os indivíduos envolvidos. Constatou-se que as práticas da reciclagem do alumínio são
consideradas atividade de trabalho e comércio, informais; mas que contribuem para o cuidado e
manutenção ambiental limpa. Com dados qualitativos captados em diálogos e análise das
observações da recolha e reciclagem, deduziu-se que já existem procedimentos adotados por
indivíduos empreendedores que contribuem, mesmo que ainda pouco, para a minimização da
presença do alumínio pós-consumo no lixão em Bissau. Os resultados demonstraram que embora
invisíveis, como sói acontecer, já se constata catadoras e catadores ambulantes, que em jornadas de
trabalho difíceis, recolhem alguma quantidade de latas para trocar pelo seu sustento no dia-a-dia.
Que muitas vezes recebem como pagamento, utensílios da reciclagem, que por vez, os vendem sem
muita valoração, para comprar gêneros básicos à sobrevivência suas e da família. Que a ausência do
poder público, tal qual acontece em outros países, não contribui para que o processo de reciclagem
seja melhor executado e leve aos envolvidos agregação de valor no trabalho que executam. Que o
processo é ainda muito rudimentar, sem clara relação custo-benefício, quer para o negócio quer
para os catadores. Também não há preocupações com a segurança dos envolvidos; desde a recolha
até a fundição. Trabalha-se com riscos – temperatura alta e material perfurocortante – sem nenhum
preceito de segurança, EPI 's ou similares. Verificou-se ainda que é preciso observar e atender a
legislação para corrigir inadequações e estimular novas propostas na área, quer para catadores quer
para empreendedores. Restou patente a ausência do estado; não como um apontador de falhas, mas,
como parceiro das atividades; pode ser fator de deficiências e injustiças sociais. Espera-se que as
informações obtidas neste estudo possam auxiliar na melhoria dos trabalhos em execução e que
possam contribuir com uma discussão consequente, especial na busca da educação ambiental e na
prevenção aos impactos que a destinação incorreta de resíduos sólidos pode trazer à saúde humana
e ao meio natural.
Descrição:
CAPERUTO, Nelita Francisco. Reciclagem de artefatos de alumínio: uma discussão necessária na Guiné-Bissau.
Monografia - Curso de Química, Instituto de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, Redenção-Ceará, 2022.