Resumo:
A transmasculinidade é um termo em voga na atualidade, contudo, ao olhar os
pequenos avanços, retomamos ao passado para melhor compreender as questões do
tempo presente. Assim, a análise da autobiografia Viagem solitária: memórias de um
transexual 30 anos depois (2019) de João Nery, desnuda histórias de opressão de ontem e
de hoje. Portanto, a partir dessa análise, este artigo tem por objetivo principal compreender
de que maneira são construídas as diferenças entre as transmasculinidades em relação às
masculinidades cisgêneras. A justificativa para a escolha desse tema, diz respeito às
semelhanças existentes entre as vivências do João Nery com a atualidade. Sobretudo, as
da época em que era ainda uma criança, em que era ridicularizado por possuir
comportamentos que fugiam ao padrão normativo de gênero. Como hipótese, supomos que
a masculinidade cis heteronormativa é socializada, vista e legitimada desde criança. O
método que orienta o trabalho é qualitativo, apoiado nas técnicas de análise documental da
obra de João Nery, dentro de uma abordagem auto-hetero-biográfica, bem como na
literatura produzida sobre o tema. O presente trabalho dialoga com autores como: Judith
Butler, Paul Preciado, Simone Ávila, Joanice Conceição, Berenice Bento, Amara Moira,
Letícia Nascimento, dentre outros e outras. Apontamos como resultado provisório que, a
socialização de homens trans implica na construção de uma masculinidade livre dos
preceitos hegemônicos, por isso a transmasculinidade é uma masculinidade trans
subalternizada, à medida que a hegemonia tende a deslegitimá-la e inviabilizá-la, como
igualmente faz com outras formas de vivenciar as masculinidades.
Descrição:
LOPES, Enzo Raphael da Silva. João Nery: Transmasculinidades, Políticas Públicas e Visibilidades Subalternizadas. 2023. 29f. Artigo - Curso de Humanidades, Instituto de Humanidades, Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2023.