Resumen:
A variabilidade climática tende a aumentar nos próximos anos, e como consequência, trazer
impactos negativos para a saúde, como o aumento das internações por doenças
cardiovasculares (DCV) e diabetes mellitus (DM). No entanto, são poucos os estudos sobre
essa temática. Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa foi: compreender os riscos
ambientais para as DCV com foco nas implicações para o conhecimento em enfermagem. O
estudo apresenta método misto estruturado em três etapas: (1) elaboração de uma revisão de
escopo conforme metodologia do Joanna Briggs Institute, na qual buscou-se identificar as
principais DCV, as populações mais vulneráveis e os mecanismos fisiológicos para o
desenvolvimento e/ou agravamento dessas doenças, e os principais fatores de risco (FR)
intensificados pelos desastres naturais; (2) dois estudos de série-temporal realizados com
dados do DATASUS e o banco de dados de Xavier et al. de 2022, que teve como objetivos,
analisar de forma espacial, temporal e descritiva os casos e as tendências de Infarto Agudo do
Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) e sua relação com as variáveis
climáticas no clima seco no Ceará; (3) como última etapa do estudo, realizou-se um estudo
reflexivo, baseado nos resultados das etapas anteriores da pesquisa, no mapeamento dos
diagnósticos de enfermagem (DE) presentes na NANDA-I e na adaptação do Modelo de
Sistemas de Betty Neuman (Neuman; Fawcett, 2011), com o objetivo de descrever as
implicações dos riscos ambientais no desenvolvimento das ações de enfermagem. Em relação
aos resultados, um total de 74 estudos foram incluídos na revisão. As pesquisas apontaram
que o IAM (n=20) e o AVC (n=13) foram as principais DCV influenciadas pela variabilidade
climática, poluição atmosférica e desastres naturais. O risco de DCV e DM também é elevado
por impacto indireto de terremotos e furacões que amplificam FR como vulnerabilidade
socioeconômica (n=4); interrupção do tratamento (n=3), estresse (n=3) e dieta inadequada
(n=2). Quanto aos resultados dos estudos de série, identificou-se a notificação de 34.182
internações por IAM e 80.685 internações por AVC. Os anos de 2017 e 2019 apresentaram os
maiores números de internações para IAM, enquanto 2018 e 2019 foram os anos com maior
número de internações por AVC. Tendências crescentes foram identificadas para ambas as
doenças (Z = 9,17 e 15,45) e temperatura média no estado (Z = 6,08). Na terceira etapa do
estudo, nenhum dos DE da NANDA-I “Risco de volume de líquidos inadequado”, “Risco de
função cardiovascular prejudicada”, “Risco de pressão arterial desequilibrada”, “Risco de
trombose” ou “Risco de termorregulação ineficaz” tiveram seus componentes direcionados
aos FR: exposição a extremos de temperatura, baixa umidade e baixa precipitação, poluição
atmosférica e desastres naturais. Conclui-se que as variáveis climáticas, poluição atmosférica
e desastres naturais podem influenciar no desenvolvimento/agravo de DCV e DM em pessoas
que vivem em regiões secas. Ressalta-se que no Ceará (região seca), o aumento de internações
por DCV coincidiu com aumentos de temperatura no Estado. Embora a influência destes
estressores na saúde cardiovascular tenha sido apontada nas primeiras etapas do estudo, ainda
não estão presentes nos componentes dos DE da NANDA-I.
Descripción:
SILVA, Clara Beatriz Costa da. Riscos ambientais para a saúde cardiovascular: implicações para a Enfermagem. 2024. 219f. Dissertação - Curso de Mestrado Acadêmico em Enfermagem, Programa de Pós-graduação em Enfermagem, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-CE, 2024.