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FERREIRA, Camila Pinho. O mosaico do rosto periférico numa perspectiva de território artístico: desterritorializando: o grande Bom Jardim. 2019. 22f. Monografia - Curso de Humanidades, Instituto de Humanidades, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará , 2019. |
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O presente trabalho consiste em uma pesquisa participante realizada no bairro
Bom Jardim, situado na periferia de Fortaleza. Partindo de um processo de pesquisa de
inspiração etnográfica, tomo a paisagem urbana periférica como espaço de potencialidades
artísticas a ser representado por meio de uma experiência audiovisual.
O objetivo desta pesquisa, assim, é sinalizar a existência de um conjunto de
práticas que rompem com a ideia de um “território fechado”, demarcado como um espaço
violento, exposto pela mídia local, influenciando e potencializando essa história única
(ADICHIE, 2009) do Grande Bom Jardim no imaginário da população do bairro e dos demais
moradores da cidade de Fortaleza.
A arte dispara sensações, que transita entre as palavras, cores e sons, entre
concretos, asfaltos, córregos e pedras. Desfazendo a tríplice organização das percepções,
afecções e opiniões que substitui por um momento compostos de perceptos de afectos e de
blocos de sensações. (DELEUZE; GUATTARI, 1992, p.208).
A realização desse trabalho, portanto, consiste em uma tentativa de apontar as
potencialidades artísticas não apenas como uma linguagem, mas como uma expressão política
de existência, de modo a considera-las formas criativas diversas que interpelam os discursos
hegemônicos e as reproduções de estereótipos, insistindo – desse modo – no disparo da vida
como “obra de arte” (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p. 24).
Materializando essa ideia de ruptura dos padrões e tentando desconstruir essa
história única, apresentam-se os jovens que trabalham com arte dentro do bairro,
questionando através destes movimentos a imagem cristalizada do lugar da “falta” e da
violência, comunicando com seus processos criativos também modos de resistência. Deste
conjunto de ações artísticas que contribui coma construção de uma nova feição para o próprio
território urbano em questão, é que se justifica o termo mosaico no título de trabalho, sendo
mosaico “uma decoração que se faz pela reunião de pequenas peças coloridas de vidro, de
pedra ou de outro material” (Dicio.com) Como bem falado: é a união dessas pequenas peças
artístico-políticas, que constroem no final uma obra linda”. Assim, também vejo os rostos
como mosaico, mosaico de rostos, rostos artísticos, rostos periféricos, que quando juntos
formam uma arte linda.
Venho aqui mostrar o Centro Cultural do Bom Jardim (CCBJ) como dispositivo
criativo, acionador de diversas rupturas do próprio território-Bom Jardim. Nesse movimento,
desterritorializante e reterritorializante (DELEUZE; GUATTARI, 1980), apresentaremos
outros modos de existir, modos de vidas que estão inscritos e atravessados por esse campo. |
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