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Os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) estão cotidianamente expostos a elevadas
demandas emocionais, sobrecarga de trabalho e contextos de vulnerabilidade social, fatores que
contribuem para o aumento dos níveis de estresse e ansiedade e impactam negativamente a
saúde mental desses trabalhadores e a qualidade do cuidado prestado à população. Diante desse
cenário, a inteligência emocional emerge como uma competência estratégica para o
fortalecimento do autocuidado, da regulação emocional e das relações interpessoais no
ambiente de trabalho em saúde. A presente dissertação teve como objetivo validar um jogo
didático de tabuleiro, intitulado “Se avexe não!”, direcionado ao desenvolvimento de
habilidades de inteligência emocional para profissionais da APS. Trata-se de um estudo
metodológico, de abordagem mista, desenvolvido em duas etapas. A primeira consistiu na
adaptação do jogo, fundamentada nos pressupostos da Terapia Cognitivo-Comportamental e
em revisão da literatura científica sobre inteligência emocional e ansiedade. A segunda etapa
correspondeu à validação de conteúdo e aparência do jogo por juízes especialistas das áreas de
saúde, psicologia comportamental e design gráfico. A avaliação foi realizada por meio de
instrumento estruturado e analisada utilizando o Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC),
considerando os domínios de objetivos, estrutura e apresentação, relevância e aparência. Os
resultados evidenciaram índices satisfatórios de validade de conteúdo e aparência, com valores
de CVC acima dos parâmetros recomendados na literatura, juízes docentes de conteúdo CVC
médio de 0,88 (domínio objetivos), 0,86 (domínio estrutura e apresentação), 0,92 (domínio
relevância) e 0,84 (domínio aparência), juízes assistenciais de conteúdo CVC médio de 0,93
(domínio objetivos), 0,87 (domínio estrutura e apresentação), 0,96 (domínio relevância) e 0,86
(domínio aparência) e juízes técnicos de aparência, CVC médio de 0,86, indicando elevada
concordância entre os juízes. As sugestões apresentadas pelos especialistas contribuíram para
o aprimoramento do material, especialmente nos aspectos de linguagem, organização visual e
adequação ao público-alvo. Conclui-se que o jogo “Se avexe não!” apresenta validade científica
como tecnologia educacional em saúde, mostrando-se uma ferramenta válida em objetivos,
estrutura e apresentação, relevância e aparência. Sua utilização tem potencial para fortalecer
estratégias de educação permanente em saúde, contribuir para a prevenção do adoecimento
psíquico relacionado ao trabalho e favorecer ambientes laborais mais saudáveis, colaborativos
e humanizados no âmbito do Sistema Único de Saúde. |
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