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Esta pesquisa visa propiciar uma compreensão referente a intrínseca conexão entre o condicionamento do papel da mulher e a imposição das morais cristãs na sociedade. Assim, a problemática da pesquisa se baseia em compreender em quais aspectos a constituição da sexualidade da mulher brasileira é influenciada pelas morais e ideologias do cristianismo batista. Dessa maneira, o objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender a influência da ideologia cristã batista, atrelada à hegemonia ocidental, nos aspectos da sexualidade da mulher brasileira, desvelando-se em três objetivos específicos: (I) analisar as distinções de gênero e a divisão dos papéis sociais em determinadas narrativas da Bíblia evangélica, evidenciando a invisibilidade da mulher, bem como sua subalternização na doutrina cristã batista e averiguar esta ascendência na dominação sobre a mulher brasileira; (II) identificar, a partir das experiências e memórias da pesquisadora Isabelle Benetti Maciel no período em que esteve inserida no contexto cristão batista, possíveis influências que tais ideologias exercem na formação da sexualidade feminina; e (III) averiguar relatos de mulheres cristãs que se autodeclaram feministas, observando suas concepções acerca da influência religiosa nos processos de dominação patriarcal. A escolha deste tema de pesquisa também pode contribuir com apontamentos acerca da estrutura das desigualdades de gênero e sexualidade, viabilizando às mulheres uma reflexão referente aos contextos opressores em que se encontram e possibilitando uma reavaliação do que é considerado como funções normais e próprias ao gênero feminino. A pesquisa ocorre com investigações de materiais bibliográficos, fundamentando-se em tais autores: Margaret Mead, Bearzoti numa perspectiva psicanalítica freudiana, Foucault, Bourdieu, Simone de Beauvoir, Renato Bittencourt, Felipe Miguel e Sergio Telles tratando do capítulo da sexualidade; são então tecidas análises de passagens da Bíblia evangélica e da Declaração do Estatuto Batista Brasileiro, finalizando o capítulo com contribuições de Krob e Ronaldo de Almeida. É realizado um estudo de caso a partir da transcrição das memórias e experiências de vida da pesquisadora, sendo desenvolvida então uma autoetnografia, e ao final da pesquisa são realizadas análises acerca de entrevistas estruturadas realizadas pela internet, por questionário e formulário no Google, com mulheres que se autodeclaram feministas cristãs, abordando a epistemologia teológica feminista, baseada por Ana Freire e Benedita Ferreira. Assim, entende-se a realidade da influência do cristianismo nas formações sociais da sexualidade da mulher, havendo, porém, uma alternativa de transformação dessa questão debruçando-se na teologia feminista, que traz uma diferente perspectiva para uma releitura e nova interpretação dos ensinamentos bíblicos, levando em conta suas especificidades históricas e culturais. |
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