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CABRAL, Ályna Maria Fragoso. O uso argumentativo das aspas e as estratégias persuasivas do distanciamento em gêneros digitais. 2018. 16 f. Artigo (Graduação) - Curso de Bacharelado em Letras, Instituto de Humanidades e Letras-ihl, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, Redenção, 2018. |
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RESUMO: O presente trabalho surge de reflexões de atividades desenvolvidas no Grupo de
Estudos em Linguística Textual (GELT/UNILAB), do Grupo de pesquisa PROTEXTO (UFC)
e do projeto de pesquisa denominado As marcas das heterogeneidades enunciativas como
recurso argumentativo retórico para a análise do texto e do discurso, financiado pela
FUNCAP-BPI/CE. Esta pesquisa se propõe a relacionar as heterogeneidades enunciativas,
descritas por Authier-Revuz (1990, 1998, 2007, 2015), a estratégias de persuasão fundadas na
Nova Retórica, de Perelman-Tyteca (1996) e à Teoria da Argumentação no Discurso, de
Amossy (2011, 2014, 2017) analisando o uso das aspas como um fenômeno de heterogeneidade.
Refletimos sobre as funções argumentativas que elas podem desempenhar no texto, em especial
nos textos digitais. Partimos da hipótese de que as aspas são estratégias argumentativas usadas
de modo proposital, com objetivos definidos. Authier (2004) elege para seu estudo as aspas de
conotação autonímica, defendendo que estas promovem uma modificação complexa da
significação. Para a autora, as aspas apontam diretamente para o surgimento de uma
exterioridade no fio do texto e assinalam um distanciamento protetor do locutor com o
enunciado marcado. Nesse sentido, retomamos Brito (2010) e relacionamos o fenômeno do
aspeamento com a teoria da polidez, proposta por Brown e Levinson (1987), pois consideramos
que a maioria dos usos das aspas está ligada a uma espécie de defesa do enunciador, numa
tentativa de preservação de faces. Elegemos para nosso corpus comentários de notícias on-line.
As etapas da pesquisa foram assim definidas: identificamos nas notícias os trechos com as aspas
e, posteriormente, refletimos sobre as funções argumentativas que essas estruturas podem
exercer nas postagens em foco. Concluímos que o aspeamento aponta diretamente para o
surgimento de uma exterioridade no discurso e que as aspas funcionam como uma forma de
defesa e distanciamento do locutor de seu dizer. |
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