Resumen:
O discurso não é neutro, nem ingênuo. Ele administra e articula memórias,
ideologias e silêncios que constituem o homem e sua história. Tomando isso como
base, este estudo analisa o discurso docente sob a perspectiva da Análise do Discurso
francesa, fundamentando-se principalmente em Orlandi (2003), Brandão (2004) e
Maingueneau (2005). Examinamos os posicionamentos de professores de Língua
Portuguesa do Ensino Fundamental II sobre indisciplina e mau desempenho escolar.
Para isso, foram realizadas e registradas em arquivos de áudio seis entrevistas
semiestruturadas com professores do município de Barreira e sete entrevistas com
professores do município de Redenção. Problematizamos os entrecruzamentos
discursivos presentes no discurso docente e refletimos sobre a construção simbólica da
realidade a partir do olhar desses sujeitos aparentemente neutros, mas carregados de
ideologias. Em nossas entrevistas, percebemos que os docentes apropriaram-se de
quatro ideias socialmente instituídas: a) A interação em sala é regulada pelo professor;
b) A indisciplina é fruto da relação do aluno com seu contexto familiar; c) Respeito se
associa à ideia de temor; d) Afetividade é o principal instrumento de aproximação com
os alunos. Os resultados apontam para uma busca pelos velhos tempos da "boa
docência", o que se evidencia através das tensões entre o discurso da pedagogia atual
e o discurso da pedagogia tradicional, frequentemente misturados nos enunciados do
corpus coletado. Além disso, constatamos a presença de discursos outros, como o
sexista, o capitalista, o jurídico e o religioso, também evidenciada nos textos
analisados.
Descripción:
SOARES, Roberta Rafaela Bernardino da Silva. Reflexões sobre o discurso docente acerca da indisciplina e do mau desempenho escolar. 26f. Artigo (Graduação) -Curso de Letras Língua Portuguesa, Instituto de Humanidades e Letras, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2017.