Abstract:
Neste artigo, analisaremos a representação da personagem feminina fula no
romance Aua: novela negra do autor cabo-verdiano Fausto Duarte, enfatizando a
personagem Auá. O que nos interessa é investigar como se dá a construção dessa
personagem feminina Fula Bissau-guineense1 no romance. Esta obra foi publicada em
1934, no mesmo ano Duarte recebeu o primeiro prêmio de Literatura Colonial portuguesa. O autor teve grande apogeu dentro de circuito da produção de uma literatura que esteve
empenhada em defender ideologia colonial. Para a realização deste trabalho, apoiaremos
nos seguintes autores: Odete Semedo Costa (2010), Homi Bhabha (2010), Gérard Genette
(2010), Abert Memmi (2007), Stuart Hall (2016), entre outros. A personagem Auá é
representada no romance através de uma visão distorcida, exótica, patriarcal e
estereotipada. Ademais, ela é subalternizada na narrativa. Entendemos que abordar a
literatura colonial passa necessariamente pelo desafio de problematizar uma narrativa
hegemônica do poder colonial, que inventa o “Outro” a partir de um imaginário do ocidente.
Essa obra é um romance colonial cuja história gira em volta de personagem Malam que
desloca da sua tabanka (aldeia) Sare-Sintcham, para a cidade de Bissau, à procura de
melhores condições de vida, levando-o a trabalhar para o “homem branco”. Após um tempo trabalhando, ele retorna à sua tabanka para casar com Auá e, depois, leva-a para a cidade de Bissau, onde mais tarde veio a descobrir que ela está grávida de um outro homem, o grande e famoso curandeiro, Marabu Issilda. Ao descobrir isso, Malam divorciou-se dela e, em seguida, leva-a de volta à sua tabanka donde, passado algum tempo, veio a casar-se com outro homem, Abdulai. Finalmente, em jeito de vingança, pela ultrajante traição sofrida,Malam mata marabu Issilda.
Description:
NAQUE, Trindade Gomes. Auá: a representação da personagem feminina Fula no romance colonial de Fausto Duarte. 2018. 25f. Artigo (Graduação) - Curso de Letras Língua Portuguesa, Instituto de Humanidades e Letras, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2018.