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A cosmologia do povo pepel é gravitada com a "sucessividade" de criações, quer dizer, a ideia de imitar a criação primordial, pois a criação é o princípio principiante de tudo quanto existe. Ideia semelhante é encontrada em Gilles Deleuze para quem a filosofia é a criação de conceito. Se para Deleuze a criação de conceito se faz na relação entre o povo e a sua terra, entre o território e a terra - Geofilosofia, para o pepel a criação faz-se na "passação" de otchê para ossack. Esta "passação" abre um campo pronto para germinar conceitos voltados para planos, político e filosófico pepel. Entretanto, a presente lavra monográfica de conclusão de curso de bacharelado interdisciplinar em humanidades é uma pesquisa que consiste no desdobramento e alongamento do plano de trabalho de iniciação científica, parte de um projeto maior financiado pelo CNPq e visa privilegiar a criação de conceitos como dinamismo para superar as discussões em torno da filosofia africana. Enquanto os debates e as críticas proliferando sobre a etnofilosofia, procura-se com esta pesquisa uma nova forma de abordar a filosofia africana a partir dos autores mais contemporâneos como Achille Mbembe, Jean-Godefroy Bidima, Mogobe Ramose em diálogo com Gilles Deleuze. Está no intuito fazer a filosofia de diferença e de criação de conceitos sob o ponto de vista pepel através de levantamentos bibliográficos, elucidação de conceitos filosóficos e das entrevistas com entidades pepel. Assim, a trilogia "Cosmologia pepel" de Papa Paulo Nanque fornece conceitos que permitem a criação de novos conceitos originais visando recolocar a humanidade no ontológico, isto é, na imitação do Mito Fundador na sua criação primordial, criação de ossack. Esta repetição do ato primordial torna possível pensar a situação não só do povo pepel, mas sim da humanidade no mundo assim como da humanidade enquanto o mundo. |
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