Resumen:
Trata-se de um trabalho cujo título é, acima de tudo, uma indagação: Negritude
Conflituosa: identidade que busca a sua permanência? O argumento principal defendido
é o de que o reconhecimento, a afirmação e a internação das diversidades negras em
sua riqueza de possibilidades existenciais são condições de exercícios éticos e de
compreensões e interações estético-ontológicas, antes de se infirmarem como postulações
político-ideológicas. Não se reduzem, por isso, a produções inçadas de plataformas de
identidades nominais e partidárias. A nossa sugestão, portanto, é a de postulação de
mudanças, de (des)construções, de novas formas de se pensar, de se perceber e de se agir
ante as culturas de negritudes e de seus saberes, com base no conhecimento dos modos
próprios e dos comportamentos de vida dos afro-brasileiros (negros brasileiros?). Não se
tratam as negritudes, por isso, meramente de índices de identidades, como antídotos
precisamente eficazes contra as posturas de ignorâncias, de preconceitos e de crimes
racistas. Haveriam, antes, de conduzir a novas invenções éticas, de liberdades e de
responsabilidades consigo e com os outros; como possibilidade de conhecimento e de
cuidado estético-existencial do ser de si no mundo. Diante disso, acreditamos que a
questão filosófica das negritudes no Brasil passa, antes da assertiva de suas identidades e
de seus espaços políticos, pelo conhecimento do pertencimento ético, estético e do ser de
si negro no mundo.