Abstract:
A pesquisa discute o uso do português como a única língua de ensino-aprendizagem nos países africanos marcados
pela colonização portuguesa, em particular Guiné-Bissau, debate que remonta ao período final da luta de libertação
nacional dos referidos países e tem sido foco de muitos debates e controvérsias nas últimas décadas. Para tanto,
dialoga-se com Amílcar Cabral, para quem a língua era uma mera ferramenta de comunicação entre seres humanos,
e com Paulo Freire, que entende que a manutenção do português como a língua exclusiva de alfabetização seria
um obstáculo para a descolonização das mentes. Pretende-se empreender uma análise sociológica acurada das
concepções e referências que historicamente fundamentaram a implementação do português como a única língua
de alfabetização na Guiné-Bissau, bem como as resistências e críticas a isso, considerando as suas implicações no
processo de ensino-aprendizagem. Assim, estabelece-se um diálogo entre as perspectivas Cabralista e Freiriana no
que tange à questão da língua mais apropriada e eficaz para a alfabetização no contexto guineense. Trata-se,
portanto, de uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico. As reflexões já empreendidas permitem inferir que
as medidas tomadas por líderes políticos e atores que atuam no domínio da educação foram bastante influenciadas
pelo sistema colonial. Portanto, a implementação do português como a única língua oficial e de ensino-
aprendizagem no país, além de não contemplar boa parte da população, especialmente os alunos, também parece
não ser resultado de uma discussão endógeno-democrática e contra-hegemônica que permita respeitar as
diversidades culturas e sociolinguísticas de que o país dispõe.
Description:
SADJO, Braima. A instituição do Português como a única língua de ensino-aprendizagem na Guiné-Bissau: reforço da unidade nacional ou perpetuação da colonialidade? Artigo - Curso de Sociologia, Instituto da Humanidades, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, Redenção-Ceará, 2021.