Resumen:
Tendo em vista a necessidade de intensificar os debates sobre a iniquidade de
gênero em espaços acadêmicos, bem como expandir os estudos de gênero e divisão sexual do
trabalho, este artigo se debruça sobre as percepções de mulheres, da área de Humanidades,
sobre a experiência de produzir ensino, pesquisa e extensão em uma Universidade brasileira, a
fim de identificar e compreender como se dão as relações de gênero na academia. Para tanto,
averiguamos se a naturalização do machismo e do patriarcalismo interferem de alguma
maneira no desenvolvimento acadêmico e/ou reforçam barreiras que obstaculizem o
protagonismo feminino. Realizamos uma pesquisa qualitativa, cuja coleta de dados se deu por
meio de um formulário eletrônico do Google, constituído por quatro perguntas abertas,
enviado via e-mail para mulheres docentes do ensino superior de uma universidade pública no
Brasil. Diante disso, verificamos que a presença feminina na academia ainda reflete uma
condição desigual, principalmente na ocupação de cargos administrativos; além disso, após as
entrevistas, depreendemos que o espaço acadêmico hierarquiza as mulheres, que as relações
de gênero se dão por meio de inúmeras violências simbólicas, e não somente: com frequência
as docentes relataram que possuem seu intelecto questionado e inferiorizado, suas falas e
vozes são interrompidas, enfraquecidas, invisibilizadas e refutadas, o que nos leva a concluir
que as relações de gênero estão permeadas pela violência patriarcal que marca a sociedade
brasileira.
Descripción:
MARQUES, Bianca dos Santos. Gênero, ciência e silenciamentos: as percepções de mulheres pesquisadoras e docentes em uma universidade brasileira. TCC - Curso de Sociologia, Instituto de Humanidades, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, Redenção-Ceará, 2021.