Abstract:
Apesar de pouco ser mencionada nos holofotes das mídias ocidentais e periféricas
diante da realidade de uma guerra híbrida, econômica e guerra por procuração do coletivo
ocidental contra a Federação Russa no palco ucraniano, o continente africano não pode ser
ignorado e constitui uma região de enorme dimensão estratégica geopolítica, isso levando em
conta o enorme potencial demográfico, geográfico e um número recorde de países que aquele
continente alberga. África possui cerca de 32.000.000.00 (trinta e dois milhões) de quilômetros
ao quadrado, 1.400.000.000.00 (um bilhão e quatrocentos milhões) de habitantes, que
simultaneamente representa a população mais jovem do mundo e consequentemente a maior
força de trabalho ativa em constante crescimento. São 55 países que formam uma organização
regional (UA) e um número considerável de votos na assembleia geral da ONU, um mosaico
rico e abundante em diversos recursos naturais raros como o gás natural, o petróleo, o urânio,
ouro, diamante entre outros. Sem contar que o continente está localizado numa região
estratégica, no centro do globo e interligado a Eurásia. Todos estes fatores fazem da África uma
das peças-chave no tabuleiro geopolítico em curso e abre o caminho para uma disputa entre os
polos em conflito sobre em qual deles a África e os africanos se alinharão ou olharão, o que em
certa medida dependerá do curso e dos resultados do conflito na Ucrânia. É pertinente destacar
que o principal objetivo do presente artigo é evidenciar dados que determinam a posição dos
estados africanos diante do conflito OTAN/EUA vs Rússia na Ucrânia, problematizar os
motivos por detrás de tais posições e analisar os novos horizontes a partir de olhares endógenos
e exógenos dos africanos, visando os interesses da África (UA) e sua afirmação diante do
mundo multipolar em ascensão.
Description:
SALA, Eduardo. Reflexão sociológica das relações internacionais da operação militar especial Russa na Ucrânia: conflito ocidente vs Eurásia e o papel/lugar da África no panorama do mundo multipolar em ascensão (2022).