Resumen:
O hábito da utilização de plantas medicinais, com foco em tratar enfermidades básicas, está
fundamentado em experiências de antepassados familiares e ritos religiosos. O saber popular
manifestado com o uso de plantas medicinais engarrafadas, tem sido expandido em feiras livres
e seu uso frequente pode ocasionar possíveis problemas à saúde, devido ao excesso de
compostos presentes. Portanto, é indispensável verificar as possíveis espécies de ervas que são
adicionadas na formulação desse produto medicinal, tendo como base conhecimento científico,
de forma a permitir seu uso de forma segura e racional. Diante do exposto, esta pesquisa teve
como objetivo analisar os compostos bioquímicos, bem como o perfil microbiológico dessa
bebida medicinal. No total, 10 garrafadas medicinais foram selecionadas, de forma aleatória,
em diferentes pontos comerciais (feiras livres) no município de Redenção-CE, com os seguintes
rótulos: G1 (embiratanha, jucá e unha de gato); G2 (ameixa, aroeira e jucá); G3 (anjico, cajueiro
e jurema); G4 (babosa; uchi amarelo e unha de gato); G5 (aroeira, cravo da índia e jucá); G6
(alho, gengibre e romã); G7 (camomila, cidreira e hortelã); G8 (boldo, hortelã e laranja); G9
(jenipapo) e G10 (cravo da índia e espinheira santa). Na primeira etapa, cada garrafa foi
investigada, por meio da literatura, quanto ao nome científico das ervas, as partes botânicas
utilizadas para a elaboração da bebida e, por último, se a patologia descrita no rótulo está de
acordo com os diferentes usos terapêuticos. Na segunda etapa foram realizadas em cada amostra
as análises de vitamina C total, polifenóis extraíveis totais e atividade antioxidante total pelo
método ABTS. Para a terceira etapa, foi realizada a análise microbiológica, por meio do método
de contagem em placa em profundidade, pour-plate. O estudo permitiu relacionar as seguintes
ervas presentes nos rótulos aos usos terapêuticos: G1 (anti-inflamatório e antioxidante); G2
(anti-inflamatório e antioxidante); G3 (antioxidante, anti-inflamatório, analgésico e
antimicrobiano e cicatrizante); G4 (antioxidante, antibacteriano, anti-inflamatório e
antibactericida); G5 (antioxidante, anti-inflamatório, analgésico, úlceras, gastrite, ferimentos e
antisséptico); G6 (antioxidante, anti-inflamatório, expectorante e hipotensora); G7 (ansiolítico,
anti-inflamatório, ansiedade e antiespasmódico); G8 (antioxidante, anti-inflamatório,
ansiolítico e antiespasmódico); G9 (anemia e icterícia) e G10 (úlceras e gastrite). As amostras
G4 e G5 apresentaram os valores mais altos de vitamina C (72 mg/100g). Quantos aos
polifenóis presentes a amostra G6 (4,33 mg EAG/100g) destacou-se entre as demais, como
também em sua elevada capacidade antioxidante (3,26 mg/100g) estando de acordo com as
propriedades terapêuticas encontradas. De um total de 10 amostras, 5 apresentaram crescimento
microbiano. Desse modo, 90% das garrafadas analisadas se encontram dentro dos limites
estabelecidos para contagem de bactérias (<10 UFC/mL). Entretanto, com relação a
contaminação por fungos, apenas 50% das preparações estão em conformidade com as
recomendações (<104 UFC/mL), para produtos não estéreis, preconizadas pela Farmacopeia
Brasileira. Torna-se de fundamental importância as boas práticas de fabricação (BPF) dessa
bebida medicinal, sob a supervisão de um profissional capacitado, viabilizando o uso racional
das plantas medicinais, evitando possíveis intoxicações.
Descripción:
SILVA, Fábio Morais da. Garrafadas medicinais comercializadas em feiras livres: perfil bioquímico e microbiológico.2023. 49f. Dissertação - Curso de Sociobiodiversidade e Tecnologias
Sustentáveis, Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2023.