Resumo:
O presente trabalho procura compreender a interferência do multilinguismo guineense na alfabetização em língua portuguesa, língua oficial. A língua adotada pelo sistema educacional para o ensino formal representa uma das maiores limitações no ensino básico guineense, visto que as línguas étnicas e maternas muitas das vezes ocupam maior espaço nas interações sociais e no seio familiar, sendo as primeiras línguas
adquiridas pelos falantes. Um dos fatores que interfere no processo de alfabetização é o choque entre a língua portuguesa e as línguas maternas. Para alcançar o objetivo, aplicamos um questionário a 12 estudantes guineenses com perguntas sobre as línguas faladas por eles e o processo de alfabetização em língua portuguesa. Como referencial teórico, baseamo-nos em autores guineenses como Neto (2022), Pinto (2018) e Semedo (2006), além de documentos oficiais do Estado Guineense. Os resultados demonstraram
que a alfabetização em língua portuguesa se dá na escola, embora os falantes já tenham adquirido em casa a sua língua étnica e a língua guineense, o que leva a dificuldades na aprendizagem da língua oficial. Concluímos, assim, que, no contexto educacional no qual a língua da escola não apresenta status na comunidade, ou seja, o ensino não considera a realidade linguística do país, os estudantes apresentam dificuldades na alfabetização por interferência de suas línguas maternas. Portanto, defendemos a oficialização da língua guineense (crioulo) e sua inserção nas escolas públicas e privadas do país,
especificamente no ensino básico.
Descrição:
DJÚ, Linda Belmiro. A interferência do multilinguismo da Guiné Bissau no processo de alfabetização
em língua portuguesa. 2023. 20f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literatura, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-CE, 2023.