Abstract:
No contexto da literatura africana de expressão portuguesa, em sua expressão na prosa narrativa, um
elemento que se destaca como basilar no processo de resgate cultural das tradições é o narrador,
que cumpre a função de contador de histórias, como uma espécie de releitura da tradicional figura
que se faz presente na tradição cultural de base oral desses povos. Nesse sentido, este artigo
constrói uma análise dos narradores que se baseiam na tradição para contar suas histórias na
materialidade da literatura escrita em língua portuguesa. Para tanto, elencamos uma obra bastante
emblemática nesse sentido, que irá apresentar dois tipos de narrador, que por sua vez, irão
representar dois níveis de mundividência distintos, que ao longo do texto irão se unir para construir
uma potente metáfora da África atual, pós-independente, pós-colonial. Essa obra é o romance Um rio
chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), do moçambicano Mia Couto. Para tanto,
embasamos nosso estudo em uma pesquisa bibliográfica, que buscará refletir acerca da relação
entre os narradores da obra elencada, sendo o primeiro, o Avô Mariano, aquele que narra por meio
da experiência daquilo que viveu, e o outro, Marianinho,aquele que narra a partir da experiência
adquirida diante do que observa.Como base teórica iremos recorrer aos preceitos formulados por
Walter Benjamin (1994) e Silviano Santiago (2002), recorreremos ainda ao que reflete Sueli Saraiva
(2008) em sua pesquisa sobre o narrador de Mia Couto.
Description:
SILVA, Francisca Carolina Lima da. “Há que guardar esse passado” – os narradores do tempo em um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto. 2022, 20f. TCC - Curso de Especialização Interdisciplinar em literaturas
Africanas de Língua Portuguesa/ILL, Instituto de Educação a Distância - EAD, Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2022.