Resumo:
O presente artigo tem como foco a relação entre o amor, o esquecimento e a morte na
segunda narrativa da obra “O terrorista elegante e outras histórias” (2019), de José Eduardo Agualusa
e de Mia Couto, “Chovem amores na rua do matador” (2019). Observa-se o receio da morte, através
do esquecimento, do personagem principal, Baltazar Fortuna. O questionamento inicial se dá em como
os sujeitos presentes na narrativa se perdem na fronteira entre lembrança e esquecimento,
relacionando morte e amor, em suas relações pessoais? Como hipótese inicial, sugere-se que os
autores definem a verdadeira morte como o esquecimento, sendo este o medo do protagonista: ser
esquecido. Por meio das lembranças de três relacionamentos de Baltazar, ironicamente, percebe-se
que seu desejo não é ser amado por essas mulheres, mas apenas lembrado, sendo esta uma questão
de poder e permanência na vida delas. É possível concluir, portanto, que Agualusa e Mia Couto
retratam a importância da memória como permanência, mas também espaço de fluidez, principalmente,
tratando-se de uma sociedade pós-colonial, cujo passado é continuamente revisitado e reconstruído.
Além da obra literária analisada, utilizaremos como arcabouço teórico os escritos sobre memória de
Paolo Rossi (2010), Jacques Le Goff (2008) e Paul Ricouer (1996); os textos de Rita Chaves (2005) e
Maria Teresa Salgado (2000), sobre a produção dos dois autores citados; e as obras de Alain Badiou
e Nicolas Truong (2013) e Erich Fromm (2000), acerca do sentimento amoroso.
Descrição:
PEREIRA, Francisca Kellyane Cunha. Desamor e esquecimento em“Chovem amores na rua do matador”. 2022, 18f. TCC - Curso de Especialização Interdisciplinar em literaturas
Africanas de Língua Portuguesa/ILL, Instituto de Educação a Distância - EAD, Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2022.