Abstract:
capacidade de escolha própria. Uma das estratégias para isso foi o processo de assimilacionismo, através do qual
o europeu “oferecia” uma pseudo-cidadania em troca da assimilação dos seus hábitos, dos seus costumes e da sua
língua, conforme é apresentado no conto “A menina Vitória”, de Arnaldo Santos. Este trabalho tem por objetivo
analisar a opressão colonial a partir da narrativa de Santos, pautado em uma discussão interdisciplinar entre a
literatura e a Sociolinguística (CALVET, 2015), levando em conta os conceitos de língua, sociedade e educação
linguísticas veiculadas no texto literário. Observamos que, ao adotar a língua e os costumes dos portugueses, a
personagem título tenta afastar de si quaisquer características que identifiquem a sua negritude, sendo sua principal
estratégia o discurso ligado ao autoritarismo e à opressão. Vemos ainda, em nossa análise, uma relação de opressão
que encaixa a ideologia social na estrutura linguística, pautados na teoria do Poder e da Solidariedade de Brown e
Gilman (1960) para os quais a sociedade é polarizada entre essas duas forças que são refletidas nas formas de
tratamento. A partir desse entendimento, observamos a menina Vitória optar por uma educação linguística que
pune o garoto Gigi por não entender as dinâmicas de poder veiculadas na língua. Concluímos fazendo uma relação
da narrativa com o modelo de educação pensado por Freire (2005) para quem quando a educação não é crítica,
torna-se um mecanismo de opressão.
Description:
RODRIGUES, Lorena da Silva. A opressão colonial através da imposição linguística: reflexos no conto “A menina Vitória”, de
Arnaldo Santos. 2022,13f. TCC - Curso de Especialização Interdisciplinar em literaturas
Africanas de Língua Portuguesa/ILL, Instituto de Educação a Distância - EAD, Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2022.