Resumen:
A trilogia “As Areias do Imperador”, do escritor moçambicano Mia Couto trata da conquista do
Reino de Gaza pelo Império português no final do Século XIX. Tal conquista pode ser
apontada como um marco na presença lusitana em Moçambique, posto que as determinações
da Conferência de Berlim (1884-1885), estabeleciam que, para uma potência colonial ser
reconhecida como tal, seria imprescindível o seu domínio de uma área devidamente
“pacificada”, ou seja, que os nativos fossem devidamente subjugados. Sem perder o contato
com os registros históricos, Couto tece uma teia de personagens que metonimicamente
retratam ambas as sociedades envolvidas no conflito. Dentre estes, o Padre Rudolfo
Fernandes, que ganha destaque porque abandona o culto tradicional católico e, ao lado de
uma curandeira africana, assimila práticas e rituais dos povos nativos associando-os aos ritos
da cristandade. Compreender a importância da cristandade na dominação de povos africanos
no contexto da expansão imperialista, com a presença de missionários como Rudolfo, que
catequizam e dão valores europeus aos jovens como Imani, e perceber como Mia Couto faz
uso deste personagem para retratar as relações culturais simbióticas entre dominantes e
dominados, dará a dimensão da importância do balizamento teórico do romance histórico na
percepção sociocultural da formação da história moçambicana.
Descripción:
oliveira, Waldejares Silva
de. Romance histórico e imperialismo: análise da personagem padre
Rudolfo Fernandes em “Sombra da água” de Mia Couto. 2022, 23f. TCC - Curso de Especialização Interdisciplinar em literaturas
Africanas de Língua Portuguesa/ILL, Instituto de Educação a Distância - EAD, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2022.