Resumo:
Este artigo propõe-se a colocar em diálogo os conceitos de indeterminação do
sujeito, conforme apresentada pela Tradição Gramatical do Português (TGP), e de não-pessoa,
conforme as ponderações de Benveniste (2020, 2023). Analisam-se as construções sintáticas
nas quais o verbo morfologicamente aponta para um “eles(as)” não identificável ou recuperável
no contexto discurso, caracterizadas como oração de sujeito indeterminado; tem-se, portanto,
um verbo flexionado na terceira pessoa do discurso, no plural, cujo sujeito é indeterminado. Por
sua vez, estruturas sintáticas nas quais o espaço sintático-semântico do sujeito é preenchido por
um pronome indefinido, a exemplo de “alguns”, são consideradas de sujeito determinado.
Entendemos haver uma mistura de critérios, ora sintáticos ora semânticos, que se aplicam
indistintamente, gerando interpretações que inviabilizam a percepção das várias formas de
indeterminação do referente discursivo em língua portuguesa. Defendemos que a discussão
benvenistiana em torno da “não-pessoa”, entendida como “aquela que não se enuncia”, auxiliará
na compreensão da língua viva e de seus vários recursos de indeterminação do referente
discursivo.
Descrição:
SILVA, Paulo David Batista. Diálogos entre o sujeito indeterminado da tradição gramatical e a Não-Pessoa Benvenistiana. 2024. 23f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literaturas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará,
2024.