Abstract:
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio neurodesenvolvimental
que se caracteriza por problemas na interação social, interesses limitados e comportamentos
repetitivos. Os sintomas geralmente se manifestam na infância, atingindo tanto meninos quanto
meninas, embora sejam mais comuns nos meninos. Pesquisas recentes se concentram nos
endofenótipos, empregando modelos animais como a Separação Materna para entender como o
estresse no início da vida impacta o desenvolvimento emocional e comportamental, além de
possibilitar a análise da sociabilidade e dos sintomas mais comuns do TEA. Objetivo: Este
trabalho buscou avaliar comportamento tipo autista em camundongos Swiss machos submetidos
ao modelo animal de autismo induzido por separação materna. Metodologia: Foram colocados
para acasalamento camundongos da espécie Swiss, de ambos os sexos. As fêmeas em gestação
foram monitoradas até o dia do nascimento, conhecido como DPN0. Depois de nascerem, os
animais foram divididos em dois grupos: controle e SM A implementação do método ocorreu
do primeiro ao décimo quarto DPN período em que a prole era separada de suas mães e
colocados em gaiolas individuais sem maravalha por três horas diárias (das 9h às 12h). No 21°,
todos os animais foram desmamados e divididos em dois grupos: machos controle e machos
separação materna. No 28° DPN fase correspondente a adolescência dos animais, foram
conduzidos testes comportamentais relacionados ao autismo nos animais com a finalidade de
verificar a influência da metodologia nos animais testados. Resultados: A separação materna
resultou em uma redução significativa na interação social, a média no grupo controle foi de
58,90, enquanto a do grupo SM foi de -38,20. No labirinto em Y, o grupo SM apresentou menor
exploração (média: 50,98) comparado ao controle (média: 61,27), com diferença significativa
(p < 0,0277), indicando influência da separação materna. No teste de enterramento de esferas,
o grupo SM apresentou menor atividade (média: 2,9) em comparação ao controle (média: 6,3),
com diferença significativa (p = 0,0084). No teste de campo aberto, a separação materna reduziu
a locomoção dos animais, evidenciada pela menor média de cruzamentos no grupo SM (82,8)
em comparação ao controle (132,3), com diferença estatisticamente significativa (p = 0,0063).
A separação materna influenciou o comportamento de autolimpeza, com o grupo SM
apresentando uma média maior de episódios (3,2) em comparação ao controle (1,7), diferença
estatisticamente significativa (p = 0,0408). No comportamento de rearing (levantar as patas
traseiras), notou-se uma diferença significativa entre os grupos (P-valor < 0,0001), sugerindo
um efeito considerável da separação materna sobre essa ação. A média de rearing do grupo
controle foi de 6,6 episódios, enquanto a média do grupo SM foi de 1,1 episódios. Conclusão:
O modelo animal de separação materna foi capaz de induzir sintomas semelhantes (pobreza na
interação social, déficit de memória e estereotipias) ao TEA em camundongos machos. Os
resultados fornecem uma base sólida para o uso deste modelo em estudos de desenvolvimento
neurológico e comportamento. Além disso, motiva novos estudos com o intuito de comparar a
influência da separação materna nos diferentes sexos.
Description:
MARTINS, José Aurelio de Almeida. Influência do modelo animal de autismo induzido por separação materna em
camundongos swiss machos. 18f. TCC - Curso de Farmácia, Instituto De Ciências Da
Saúde, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia
Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2025.