Abstract:
O clima da Terra está sofrendo alterações significativas, resultando em impactos relevantes e potencialmente devastadores no ambiente, na sociedade e na economia global. As mudanças climáticas têm efeitos diretos na propagação de doenças transmitidas por vetores, como a
dengue. Portanto, estudar a variação da temperatura e outros fatores climáticos em relação às
condições de transmissão da dengue é essencial para a adoção de medidas preventivas de saúde
pública e adaptação às mudanças climáticas. O objetivo geral deste trabalho é avaliar os efeitos
das variações climáticas nos casos de dengue na cidade de Campina Grande – PB. Para tanto,
estudou-se a associação entre o número de casos de dengue e as variáveis climáticas, por meio
do cálculo do coeficiente de correlação de Pearson. Em seguida, foram ajustados e comparados
modelos de regressão de séries temporais: regressão linear múltipla com erros independentes,
regressão linear múltipla com erros correlacionados e modelos aditivos generalizados. Por fim,
foi avaliado o impacto das mudanças climáticas na incidência da dengue, assumindo a tendência
geral das variáveis climáticas na região de acordo com os cenários RCP4.5 e RCP8.5 no final
deste século. A correlação positiva entre dengue e chuvas, com atraso de um mês, destaca a
importância das chuvas como fator impulsionador da proliferação do mosquito. Por outro lado,
as temperaturas máximas e médias do mês atual apresentaram correlação negativa com a
dengue, sugerindo que temperaturas mais altas podem limitar a sobrevivência do mosquito, o
que pode ser contrabalançado pela correlação positiva entre dengue e temperatura mínima. O
melhor modelo de regressão linear para dengue é aquele que tem como variável dependente a
temperatura máxima do mês atual e uma distribuição de erros seguindo um modelo
autorregressivo de primeira ordem. Seu SRMSE foi de 0,90, o que significa que o modelo é
10% superior que o valor esperado da variável dependente (logaritmo dos casos de dengue)
como preditor. O ajuste do modelo aditivo generalizado apresentou melhor desempenho com
um SRMSE igual a 0,85. Esse modelo contou, com a adição da precipitação com um mês de
antecedência como variável independente, mostrando a influência da precipitação no número
de casos de dengue de forma não linear. As projeções indicam aumentos de temperatura de
1,8°C no cenário RCP4.5 e de 4,1°C no cenário RCP8.5 na região Nordeste do Brasil. Estas
tendências indicam uma possível redução de aproximadamente 50% na taxa de incidência de
dengue para o cenário RCP4.5 e uma redução de 100% nos casos no cenário RCP8.5, uma vez
que as temperaturas podem tornar-se demasiado altas para a proliferação do mosquito da
dengue. Este estudo fornece uma visão regional da variabilidade climática e seu impacto local
na incidência de dengue em um município da região Nordeste do Brasil. Os resultados
apresentados podem ter implicações importantes para a saúde pública no presente e nos cenários
futuros de alterações climáticas.
Description:
SILVA, Jéssica. . 2023. 89f. Impacto do clima nos casos de dengue em Campina Grande. Dissertação - Curso de Mestrado Acadêmico em Energia e Ambiente, Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2023.