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A poluição do ar constitui um relevante problema ambiental contemporâneo, com impactos
internacionais e efeitos diretos sobre a saúde humana. A exposição a níveis elevados de
poluentes associa-se ao aumento da morbimortalidade, sobretudo entre populações
vulneráveis, como crianças. Nessa faixa etária, características fisiológicas e imunológicas
favorecem maior dose interna de poluentes, resultando em manifestações agudas e prejuízos
ao desenvolvimento pulmonar. Embora haja crescimento da produção científica sobre
poluição atmosférica e saúde, persistem lacunas quanto a sínteses voltadas à população
pediátrica e à incorporação explícita de determinantes ambientais nas taxonomias da prática
de enfermagem. Diante disso, torna-se necessário reunir e analisar criticamente as evidências
sobre como a poluição do ar se relaciona a respostas humanas respiratórias prejudiciais em
crianças. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo analisar as evidências sobre
a poluição do ar e respostas humanas respiratórias prejudiciais em crianças e relacioná-las aos
elementos estruturantes de diagnósticos de enfermagem. Trata-se de uma revisão de escopo
elaborada conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews
and Meta-Analyses - extension for scoping reviews. O protocolo foi registrado no Open
Science Framework (DOI: 10.17605/OSF.IO/F6E92). As buscas incluíram as bases de dados
MEDLINE, EMBASE, Scopus (Elsevier), CINAHL, EBSCO, SOCindex (EBSCO), LILACS,
BDENF, PsycINFO SciELO, Web of Science Core Collection, PubMed Central, Cochrane
Library e Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde. Realizou-se busca adicional nas
listas de referências dos estudos incluídos e as citações foram geridas no EndNote 20 para
remoção de duplicatas e, em seguida, triadas no Rayyan por dois revisores independentes,
onde também foi realizada a leitura de títulos/ resumos e avaliação de texto completo.
Incluíram-se estudos que mensuraram exposição à poluição do ar e relataram respostas
respiratórias prejudiciais em crianças de 0 a 12 anos incompletos. A extração foi realizada
usando o Excel 2016 e contemplou identificação, características metodológicas, poluentes,
fontes, níveis/duração da exposição e desfechos dos estudos revisados. Os achados foram
analisados de forma qualitativa por síntese narrativa. Foram identificados 1.930 artigos, destes
396 passaram pela triagem de título e resumo, 209 foram lidos na íntegra e 25 cumpriram os
critérios e compuseram a amostra final da revisão. Os poluentes atmosféricos mais associados
a respostas humanas prejudiciais em crianças foram o PM₂.₅ e PM₁₀, seguidos por partículas
ultrafinas, PM₁, NO₂, SO₂, O₃ e CO₂, além da fumaça de biomassa, do tabaco e de poluentes
intradomiciliares oriundos da combustão; sendo o tráfego veicular a principal fonte de
exposição. Identificaram-se como elementos estruturantes dos diagnósticos de enfermagem –
características definidoras sibilos, tosse, expectoração, dispneia, taquipneia, tiragem subcostal,
despertares noturnos por sintomas respiratórios, irritações nasal e faríngea, manifestações
oculares, redução de parâmetros espirométricos e elevação de marcadores imunológicos. Os
elementos estruturantes – condições associadas a respostas humanas prejudiciais em crianças
foram principalmente a asma, rinite alérgica, infecções respiratórias e hospitalizações. Assim,
os achados desta revisão reforçam a importância de o enfermeiro reconhecer a exposição da
criança a poluentes atmosféricos como fator ambiental relevante, potencialmente associado às
manifestações respiratórias. O conhecimento sobre as fontes e os tipos de poluentes qualifica
o raciocínio diagnóstico e favorece a identificação mais acurada de fatores relacionados e
condições associadas, fortalecendo a tomada de decisão clínica e as ações preventivas em
enfermagem. |
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