Resumo:
Objetivou-se avaliar o conhecimento, a atitude e a prática (CAP) de mulheres indígenas da
comunidade Pitaguary sobre o rastreamento do câncer do colo do útero e identificar fatores
associados à inadequação desses domínios. Trata-se de inquérito CAP, transversal, com
abordagem quantitativa, realizado com 129 mulheres com vida sexual ativa, residentes nas
aldeias e acompanhadas na Unidade Básica de Saúde. A maioria das participantes possuía
companheiro (79,1%), ensino médio completo (42,6%), renda familiar ≤1 salário-mínimo
(87,6%) e recebia auxílio governamental (65,9%). Predominou residência em zona rural
(98,4%) e ausência de saneamento básico (99,2%). Observou-se elevada participação em
atividades educativas (92,2%) e alta realização prévia do exame citopatológico (98,4%), sendo
76,7% dentro do intervalo recomendado. A ESF foi o principal local de realização do exame
(93,0%), com baixa proporção de dificuldades relatadas (1,6%). Na classificação final,
identificou-se conhecimento adequado em 93,8%, atitude adequada em 74,4% e prática
adequada em 71,3%, evidenciando redução progressiva ao longo do continuum CAP. Na
análise dos cruzamentos, o conhecimento inadequado associou-se à presença de saneamento
básico (RP=0,11; IC95%:0,02–0,52; p=0,005) e à realização de histerectomia (RP=0,23;
IC95%:0,06–0,89; p=0,033). Embora sem significância estatística, mulheres que não
trabalhavam apresentaram maior prevalência estimada de conhecimento inadequado
(RP=3,46). A atitude inadequada esteve associada à ausência de atividade laboral (RP=2,53;
IC95%:1,09–5,88; p=0,031) e ao consumo de álcool, sendo menor entre aquelas que não
consumiam bebida alcoólica (RP=0,53; IC95%:0,29–0,98; p=0,044). Quanto à prática
inadequada, observaram-se associações significativas com religião, vida sexual ativa e
histerectomia. Mulheres evangélicas apresentaram menor prevalência de prática inadequada
quando comparadas às católicas (RP=0,41; IC95%:0,19–0,85; p=0,017). A ausência de vida
sexual ativa associou-se a maior prevalência de prática inadequada (RP=4,23; IC95%:1,79
10,03; p=0,001), assim como a ausência de histerectomia (RP=3,82; IC95%:1,37–10,62;
p=0,010). Os achados revelam elevada cobertura do exame preventivo no território, porém com
heterogeneidade interna nos domínios de atitude e prática, influenciada por fatores laborais,
comportamentais, reprodutivos e contextuais. Os resultados reforçam a importância de
estratégias culturalmente sensíveis na Atenção Primária à Saúde, com foco na qualificação das
atitudes e práticas preventivas, visando ampliar a adesão sustentável ao rastreamento entre
mulheres indígenas.
Descrição:
POLETTO, Cristiane Mélo. Conhecimento, atitude e prática de mulheres indígenas da comunidade Pitaguary sobre o rastreamento do câncer do colo do útero. 2026. 78f. Dissertação - Curso de Mestrado Profissional em Saúde da Família, Programa de Pós-graduação em em Saúde da Família, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2026.