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O presente trabalho investiga a pós-humanidade negra como horizonte ontológico alternativo à forma-homem moderna, compreendendo que a modernidade ocidental instituiu o “humano” como tecnologia de fronteira e, nesse gesto, produziu o negro como impossibilidade ontológica. Fundamentado nas obras de Frantz Fanon, Sylvia Wynter, Achille Mbembe, Denise Ferreira da Silva e Zakiyyah Iman Jackson, o estudo demonstra que o paradigma moderno se sustenta por uma lógica de separabilidade que define o ser a partir da exclusão. Diante disso, as ontologias africanas como as tradições Bantu (ntu/ubuntu), Yorùbá (orí/àṣẹ) e Akan (pessoa-em-devir) — oferecem um regime alternativo de existência no qual o ser é relacional, a potência é compartilhada e a ancestralidade é operante. A pesquisa adota uma metodologia teórico-filosófica e afrocêntrica, compreendendo que descolonizar o pensamento exige recuperar o poder de nomear e habitar o mundo desde as próprias tradições africanas. A pós-humanidade negra, portanto, não é uma reivindicação de inclusão, mas a restituição de um fundamento civilizatório: um modo de mundo em que a vida não é medida pelo humano moderno, mas afirmada como multiplicidade ontológica. Conclui-se que pensar a partir das ontologias africanas é recolocar a África como fonte epistemológica e ontológica de mundo, capaz de refundar as relações entre ser, natureza, comunidade e política. |
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