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Este trabalho analisa as intersecções entre raça, gênero, sexualidade para compreender como mulheres desfeminilizadas, especialmente negras/indígenas e lésbicas, se tornam alvos de violências simbólicas, materiais e estatais no Brasil contemporâneo. Discute-se como a modernidade colonial construiu categorias de gênero e raça que sustentam hierarquias, produzem desigualdades e determinam quais vidas são consideradas legítimas. A desfeminilidade é entendida como uma expressão política que desafia normas hegemônicas de feminilidade, revelando tensões entre reconhecimento, existência e resistência. A pesquisa inclui entrevistas com mulheres desfeminilizadas na Bahia, cujas narrativas evidenciam vigilância constante, lesbofobia, racismo e exclusões estruturais/institucionais, mas também demonstram estratégias de enfrentamento e construção de redes de apoio. O estudo também aborda a captura neoliberal das lutas LGBTQIAPN+, que transforma pautas políticas em produtos de consumo e legitima uma inclusão seletiva que silencia corpos dissidentes. Conclui-se que enfrentar essas opressões exige transformações estruturais que rompam com a lógica que produz e sustenta vidas descartáveis. A transformação necessária é profunda: exige romper com modelos que administram a existência dessas mulheres como exceção e afirmar outras formas de vida que não dependam da autorização do Estado, do mercado ou das normas hegemônicas para existir. |
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