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O texto discute o papel crucial da música angolana na resistência cultural e política durante o período colonial e anticolonial, especialmente entre 1947 e 1975. Embora a luta pela independência de Angola tenha sido conduzida por movimentos políticos como MPLA, FNLA e UNITA, a música desempenhou um papel igualmente decisivo ao fortalecer a identidade nacional e servir como meio de comunicação e protesto. Durante a colonização portuguesa, surgiram grupos musicais que buscavam recuperar elementos culturais angolanos e denunciar a opressão. Entre eles, o N’gola Ritmos, criado no final dos anos 1940, destacou-se ao valorizar instrumentos tradicionais, ritmos locais e línguas nacionais como o kimbundu e o umbundu. O uso dessas línguas funcionava como símbolo de resistência e como código para transmitir mensagens políticas que os colonizadores não compreendiam. O carnaval angolano, desde as décadas de 1930 a 1960, também foi importante espaço de contestação, influenciando ritmos como o semba. Grupos como Os Kiezos e artistas como David Zé, Urbano de Castro e Artur Nunes continuaram essa tradição, expressando em suas canções críticas sociais, nacionalismo e esperanças de liberdade. Suas obras misturavam elementos culturais tradicionais e influências estrangeiras, reforçando a angolanidade e denunciando a exploração, a violência e a desigualdade impostas pelo regime colonial. A pesquisa, baseada em fontes bibliográficas, documentos e análise de letras, conclui que a música foi fundamental na construção da consciência coletiva, na preservação da cultura e na mobilização popular. Entre ritmos, metáforas e códigos linguísticos, os artistas angolanos transformaram a música em ferramenta de luta e afirmação identitária, contribuindo significativamente para o processo que culminou na independência em 1975. |
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