Resumo:
Este estudo analisa a construção do personagem Guy Montag no romance Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury, e busca investigar seu processo de transformação de bombeiro incendiário a dissidente e guardião da palavra. Para contextualizar essa análise, o estudo apresenta inicialmente a origem e o desenvolvimento do gênero distópico, destacando sua função histórica e social como forma de crítica a projetos utópicos e aos mecanismos de controle, para isso nos apoiaremos nos trabalhos de autores consagrados como Claeys (2010;2017), Booker (1994) e Moylan (2003). Em seguida, examinaremos o papel central da linguagem nas distopias, articulando essa reflexão com o modo como o personagem distópico é construído dentro da sociedade opressiva, com base em autores como Baccolini (2003),
Moylan (2000), Jung (2000) e Foucault (2003). Por fim, analisaremos a trajetória de Montag
segundo as definições teóricas de construção de personagem de Brait (1985), Cândido (2007),
Forster (2005) e Jung (2000), considerando elementos psicológicos, estruturais e simbólicos
que compõem sua evolução. A pesquisa, possui uma abordagem qualitativa e bibliográfica,
evidencia que a transformação de Montag se dá de modo profundo e progressivo, permitindo
classifica-lo como personagem esférico, cuja complexidade se constrói a partir de conflitos internos, rupturas simbólicas e reorganização da consciência. Assim, o estudo demonstra como a narrativa articula subjetividade, poder e memória, contribuindo para a compreensão do personagem distópico e para reflexões contemporâneas sobre manipulação informacional, autonomia e consciência crítica.
Descrição:
MORAIS, Daniel Morais de. A construção de Guy Montag em Fahrenheit 451: de censor ao guardião da palavra. 2025. 27f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literaturas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2025.