Resumen:
A presente pesquisa tem como objetivo analisar o livro didático de Língua Portuguesa da 11.a
classe utilizado no Liceu de Kimbele-Angola, buscando compreender como ele aborda a ariação linguística, as dimensões culturais do português angolano e a relação entre o português (L2) e o kikongo (L1) no processo de ensino-aprendizagem. A escolha do manual resultou de um debate sobre a situação social e econômica de Kimbele, que levou a uma
reflexão mais ampla sobre o ensino e orientou a seleção do material a ser analisado. A
pesquisa fundamenta-se nos postulados teóricos de Bagno (2009), Gueleka (2021), Zau
(2021), Santana & Timbane (2021), Sassuco (2021), Bernardo (2017), Calossa (2021) e Silva
e Carvalho (2022), que discutem o ensino da Língua Portuguesa em Angola, com ênfase na
variante angolana utilizada nas diferentes regiões do país. Metodologicamente, caracteriza-se
como um estudo qualitativo, bibliográfico e documental, centrado na análise do manual de
Língua Portuguesa da 11.a classe (Magalhães, Costa & Silva, 2008). Foram analisados três
textos literários e suas atividades, buscando compreender o tratamento dado à variação
linguística, à identidade cultural e à relação entre o português (L2) e o kikongo (L1). Os
resultados indicam que o LD adota uma abordagem essencialmente monolíngue em um
contexto bilíngue, tratando o português como um sistema isolado e não estabelecendo pontes
pedagógicas com o kikongo. Além disso, não apresenta atividades de comparação linguística,
glossários bilíngues ou propostas de tradução que apoiem a aprendizagem a partir da língua
materna, o que limita o reconhecimento das competências linguísticas dos estudantes. Embora
os textos incluam traços relevantes do português angolano como léxicos locais, construções
sintáticas próprias e referências culturais, o manual não os explora pedagogicamente,
deixando de promover reflexão, comparação ou valorização dessas variantes em relação ao
kikongo e às demais línguas nacionais. No que diz respeito à cultura, observou-se que o LD
apresenta elementos da cultura angolana, como no conto “O guiko e as mandiocas”, de
Cremilda de Lima, apenas como pano de fundo temático, sem integrá-los como instrumentos
de reflexão linguística e identitária. Assim, a cultura aparece de forma superficial, enquanto a
língua que a expressa é silenciada, evidenciando a ausência de uma abordagem intercultural.
Descripción:
BRNARDO, Pezeiro Fernando. O ensino de português como segunda língua em Angola: variação linguística e dimensões culturaus no livro didático. O ensino de português como segunda língua em Angola: variação linguística e dimensões culturaus no livro didático. 2025. 46f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literaturas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2025.