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Em 2024, uma proposta de emenda à constituição chamada popularmente de “PEC do aborto”
tomou conta dos noticiários brasileiros, já que visava proibir o aborto no país, mesmo em
casos previstos na lei, como quando a gravidez representa risco de vida para a gestante,
quando for oriunda de um estupro e quando o feto for considerado anencefálico. Diante desse
cenário, dada a importância do tema, este trabalho se volta para a análise das notas
taquigráficas de duas reuniões da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania acerca
da “PEC do aborto”, que ocorreram nos dias 13 e 27 de novembro de 2024 e coletadas no site
da Câmara dos Deputados. Assim, nosso objetivo é analisar o emprego dos dêiticos sociais e
das estratégias de (im)polidez linguística nas interações discursivas ocorridas nas sessões
acerca da “PEC do aborto” da referida comissão, investigando de que modo esses recursos se
articulam na construção das relações entre os participantes. Para cumprir o objetivo proposto,
no que tange à dêixis social, apoiamo-nos nos estudos de Levinson (2007) quanto à dêixis
relacional e suas relações: falante e ambiente, falante e referente, falante e destinatário e
falante e espectador; no que se refere à (im)polidez, recorremos às estratégias de polidez de
Brown e Levinson (1987) e às estratégias de impolidez de Culpeper (1996). No que diz
respeito aos aspectos metodológicos, nossa pesquisa caracteriza-se como descritiva,
documental e de natureza qualitativa e quantitativa. Os resultados apontaram que os dêiticos
sociais que expressam relação falante e ambiente foram mais recorrentes, com 354
ocorrências, revelando o caráter formal e cerimonioso da Câmara dos deputados, sem que isso
assegure, necessariamente, a polidez. Na relação falante-destinatário, a categoria falante e
presidente contou com 257 ocorrências, mascados, principalmente, por agradecimentos à
presidente Caroline de Toni. Já na relação falante e aliado, houve 45 ocorrências de dêiticos
sociais associados à polidez e 64 ocorrências de dêiticos sociais referentes à relação falante e
oposição, associadas à impolidez. Por fim, na relação falante e espectador, houve apenas onze
ocorrências de dêiticos sociais, marcados pela assimetria discursiva entre os parlamentares e
os manifestantes. |
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