Resumo:
O presente estudo tem como objetivo compreender em que medida a dança pode contribuir com o processo de inclusão de estudantes com deficiência, na educação superior, mais especificamente na Unilab, a partir das experiências formativas, no ensino, na pesquisa e na extensão, tendo, como referência, os grupos artísticos culturais que atuam no campo da dança e outras manifestações artísticas. Para alcançar o objetivo proposto, define-se, como metodologia central, o estudo de caso, associado à análise de conteúdo e, como procedimentos metodológicos, realiza-se levantamento documental, aplicando questionário de pesquisa aos
coordenadores e participantes de grupos artísticos culturais e de dança da Unilab. Como principais fontes teóricas, adotam-se os seguintes autores: Mantoan (2003;2010;2017); Oliveira (2013), Sassaki (2006), Bardin (2011), entre outros autores. A dança, como dispositivo de inclusão, na educação superior para pessoas com deficiência, é uma prática fundamental para o processo educativo, com impactos positivos, tanto no desenvolvimento pessoal quanto na construção de uma cultura mais inclusiva no ambiente universitário.
Investir, cada vez mais, em infraestrutura, formação docente e ações coordenadas, pode fortalecer a inclusão, alinhando-se à missão da universidade de promover uma educação equitativa e transformadora. A pesquisa identificou quatro achados principais sobre a dança como dispositivo de inclusão de estudantes, com deficiência, na educação superior, com foco na Unilab. Primeiro, a dança é reconhecida como uma ferramenta qualitativa e significativa de inclusão, pois prioriza a criatividade em detrimento da perfeição técnica, permitindo expressões corporais diversificadas e acessíveis a pessoas com variadas condições físicas,
sensoriais ou cognitivas. Segundo, sob a perspectiva da dança contemporânea, amplia-se o debate sobre inclusão, ao questionar padrões normativos de movimento e explorar formas alternativas de comunicação corporal, alinhando-se às discussões de Mantoan (2017). Terceiro, destacam-se os benefícios psicossociais, nos quais a participação, em atividades de dança, na universidade, promove autopercepção positiva, elevação da autoestima, fortalecimento do senso de pertencimento e quebra de barreiras sociais, facilitando a integração entre alunos, com e sem deficiência. Quarto, os grupos artísticos e de dança da Unilab apresentam potencial para incorporar ações inclusivas em suas práticas, desde que resguardem as diretrizes da Resolução Consuni no 55/2021, que institui a Política de Inclusão e Acessibilidade. Os estudos qualitativos revelam, na percepção dos entrevistados, que a dança ressignifica corpos historicamente vistos como “limitados” ou “inadequados”, contribuindo, de forma transformadora, para a inclusão efetiva de estudantes com deficiência no ambiente universitário, por meio de práticas artísticas acessíveis e integradoras. A consolidação dessas práticas, não apenas atenderá às demandas legais, mas, também, reforçará o papel da Unilab como um espaço de diálogo e desenvolvimento humano, em contextos lusófonos.