Resumo:
Os Tremembé da Barra do Mundaú são um povo indígena que habita o litoral oeste do
estado do Ceará. A dissertação visa compreender o seu conhecimento tradicional acerca das
frutas nativas de seu território e oferecer uma contribuição para a etnobotânica dos indígenas
do Nordeste. Discutem-se as bases teóricas para a construção do conceito de etnobotânica e
para a compreensão do território enquanto espaço necessário à reprodução física e cultural do
grupo étnico. Elegeu-se a metodologia qualitativa, com abordagem etnográfica. Faz-se um
histórico dos Tremembé da Barra do Mundaú e de sua luta política para garantir os direitos
sobre seu território tradicional. É apresentada a identificação das frutas utilizadas pelos
indígenas, indicando seus principais usos, os conhecimentos associados e a caracterização das
consideradas mais significativas para o grupo. A partir de uma etnografia da festa do murici e
do batiputá, são estudados os usos dessas frutas pelos Tremembé e os motivos de sua
relevância cultural. Foram elaborados jogos educativos sobre as frutas do território e foi
ministrado um curso de etnobotânica como forma de retorno da pesquisa à comunidade. A
relevância das frutas para os Tremembé vai além do aspecto nutricional e está associada ao
conhecimento tradicional que o povo indígena detém sobre esse recurso, relacionado com
várias de suas práticas culturais. Tais práticas os distinguem de outros grupos sociais e
expressam sua identidade indígena.
Descrição:
PINTO, André Luis Aires. Na nossa terra tem Murici e Batiputá: o conhecimento etnobotânico dos Tremembé sobre as frutas nativas. 2016. 116 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis, Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, Redenção-Ceara, 2016