Resumo:
O presente artigo analisa o papel do intelectual guineense Filinto de Barros
na representação literária da Guiné-Bissau em seu romance Kikia Matcho (1997).
Considerada como crítica ao abandono social daqueles que lutaram e sonharam com a
igualdade de oportunidades no pós-colonialismo, a escrita de Barros busca dar voz a todos
os excluídos do projeto de nação guineense. Com enfoque nas personagens de exguerrilheiros, o enredo destaca a utopia sonhada e anunciada durante a década de luta
armada pela independência (1963-1973) e o desencanto que a sucedeu. A narrativa
permite uma profunda reflexão sobre os primeiros passos da construção do Estado-Nação
guineense e a configuração social dos dias atuais, com a recorrente instabilidade e
corrupção política. Como referencial teórico o artigo dialoga, entre outros, com Edward
Said e sua defesa do intelectual como porta-voz da sociedade; Frantz Fanon ([1961]
2010), José Luís Cabaço (2009) e Mia Couto (2005), em suas reflexões sobre os vícios
coloniais na formação nacional; Ernest Bloch ([1959] 2005) sobre utopia e esperança;
Alfredo Bosi (2002), sobre narrativa e resistência; Moema Augel (2007) e a construção
literária do Estado-nação guineense.
Descrição:
CÁ, Ricardo Aguinelo Aquixinco Gomes. Filinto de Barros e a resistência intelectual na construção literária do estado-nação guineense. 2018. 25f. Artigo (Graduação) -Curso de Letras Língua Portuguesa, Instituto de Humanidades e Letras, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2018.