Resumen:
Esta dissertação tem por objetivo investigar os fatores envolvidos na avaliação social
dos falantes, por meio de testes inspirados em Lambert et al. (1960), Campbell- Kibler
(2006) e Oushiro (2015, 2019), com estímulos escritos acerca dos usos variáveis de
nós e a gente no português do Ceará, com o propósito de traçar um perfil
sociodemográfico e de personalidade de quatro perfis sociais que representam os
membros da comunidade de prática escolar e de identificar as percepções e os
significados sociais atribuídos ao uso das variantes nós [-mos] (nós falamos), a gente
[-0] (a gente fala), nós [-0] (nós fala) e a gente [-mos] (a gente falamos). A
fundamentação teórica baseia-se na Teoria da Variação e da Mudança Linguística
(LABOV, [1972] 2008; WEINREICH; LABOV, HERZOG [1968] 2006), nas
contribuições de Eckert (2004, 2005, 2012), além das pesquisas acerca do fenômeno
em estudo (LOPES 1998; NARO; GÖRSKI; FERNANDES, 1999; VIANNA, 2006;
RUBIO, 2012a; 2012b; SCHERRE; YACOVENCO; NARO, 2018). A metodologia
baseia-se nos testes de reação subjetiva, inspirada em Lambert et al. (1960),
Campbell-Kibler (2006) e Oushiro (2015, 2019). Os participantes selecionados para a
pesquisa foram 40 professores e 80 alunos do Ensino Médio da rede pública de
educação do Ceará, distribuídos nas 8 macrorregiões administrativas Estado. Os
dados foram analisados por método quantitativo e qualitativo, utilizando-se o
programa estatístico SPSS para o cálculo de distribuição de frequências. Além de
permitir traçar um perfil sociodemográfico e de personalidade de quatro perfis sociais
que representam os membros da comunidade de prática escolar, os resultados
indicam que, na percepção dos participantes, (i) o emprego das formas nós [-mos] e
a gente [-0] pode estar relacionado à escolarização, à faixa etária e ao contexto de
formalidade/informalidade; a variante a gente [-0] é pouco saliente na comunidade
de prática e pode ser considerada do tipo marcador (LABOV (1972 [2008]), sendo os
alunos menos conscientes do uso dessa variante; (iii) as formas nós [-0] e a gente [-
mos], que recebem o maior quantitativo de atribuições para os perfis sociais que
representam alunos, especialmente os alunos homens, podem ser consideradas do
tipo estereótipo (LABOV, [1972] 2008); (iv) a variante a gente [-mos] aparenta ser um
fator de diferenciação dos professores dentro da comunidade de prática e sua
associação ao verbo em primeira pessoa do plural indica traços de hipercorreção entre
os alunos. Além disso, em consonância com os dados de produção, os resultados
desta pesquisa mostram que os participantes tendem a fazer maior número de
menções às frases construídas com nós [-mos] ou a gente [-0] quando essas frases
apresentam contextos linguísticos que favorecem a variante, como em Nós
terminamos se não me engano foi em setembro em que o verbo empregado no
pretérito perfeito do indicativo favorece a variante nós [-mos] e em A gente morava
aqui já naquela época em que o verbo empregado no pretérito imperfeito do indicativo
favorece a variante a gente [-0], confirmando a tendência apontada por Naro, Görski,
Fernandes (1999).
Descripción:
SCHMIGUEL, Kelli. Nós e a gente: saliência, percepções e significados sociais no estado do Ceará. 2022. 227 f. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGLin) Mestrado em Estudos da Linguagem. Instituto de Linguagens e Literaturas (ILL), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Acarape, 2022.