Abstract:
O presente artigo tem por objetivo analisar aspectos levantados na literatura sobre o processo
de transição política para a democracia na Guiné-Bissau. Tal processo foi inaugurado em
1990, mas só culminou com a realização das primeiras eleições em 1994, depois de dezoito
anos dum regime de partido único no poder (1974-1994). Quanto a delimitação, nosso
interesse é compreender contexto, atores, cenários e questões que emergiram no processo de
transição democrática guineense. Tendo por base a pesquisa qualitativa, como método de
investigação sociológica, os dados foram coletados em revistas científicas, teses, dissertações,
monografias, artigos e documentos, que servirão de base à análise. O argumento central
defendido é que a transição política possibilitou a emergência de normas constitucionais
formais da democracia representativa liberal para o exercício de poder político, mas não gerou
condições sociais para que os cidadãos guineenses pudessem participar na tomada de decisões
do governo. Nessa visão minimalista da democracia o poder tem sido concentrado nas elites,
ignorando a capacidade de sujeitos coletivos e da sociedade civil de participarem no exercício
de poder. Defendemos também que a incorporação da ideia de participação de sujeitos
coletivos no governo aperfeiçoaria a própria democracia além de um simples ato de votar. A
ausência da dimensão social da democracia participativa levou os principais atores políticos
guineenses a reduzirem a democracia ao comportamento eleitoral, fruto de cálculo de atores
políticos que lutam no mercado de voto através de eleições de representantes para o governo.
Description:
BIAGUÊ, Danildo. Atores, questões e cenários de transição política guineense. 2019. 16f. Artigo (Graduação) - Curso de Licenciatura em Sociologia, Instituto de Humanidades e Letras, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2019.