Resumen:
Ao longo dos anos, constata-se na sociedade brasileira, na formação de suas
instituições, de suas práticas políticas e educacionais, a associação da imagem do Orixá
Exu a uma figura satânica, ao diabo cristão. Satanizar a figura de Exu é um problema
social brasileiro e, ao mesmo tempo, um sintoma de negação ético-ontológica da própria
existência do povo brasileiro. Estereotipar a imagem de Exu como uma entidade do mal
é, por inúmeros motivos, um grande equívoco. Exu é uma entidade que precisa estar nas
escolas e ser estudado também, porque é Ele que movimenta o conhecimento, ou que
faz os saberes serem transportados entres professores/as e alunos/as, ou entre alunos/as
e professores/as. Exu é o conhecimento que abre caminho para todos os saberes
africanos e afro-brasileiros que foram negados pelo racismo epistêmico ou pela
colonialidade branca. Exu é, assim, um educador que transforma a aprendizagem em
prática de solidariedade, acolhimento, respeito, valorização e reconhecimento de
diversos saberes e sentimentos humanos. Portanto, Exu deve fazer do chão da escola o
assentamento de seus saberes ancestrais e das mudanças curriculares para o nosso
ensino. Descolonizar o nosso currículo é, afinal, necessário e urgente, e Exu pode
ajudar, porque Ele é o Orixá mensageiro, que abre os caminhos, ajuda a evitar as
dificuldades e confusões enfrentadas: para que nenhum mal possa acontecer ou
atrapalhar os nossos caminhos e as nossas vidas. Exu é quem nos confere esse ímpeto
de querer sempre aprender, de nos renovarmos, reinventarmos e de nunca nos
submetermos passivamente a nenhum tipo de cativeiro.
Descripción:
PEREIRA, Francisco Vitor Macêdo. Ética e Ancestralidade em Exu: um ensaio-ebó, ou ebó-ensaio, de desagravo e descarrego epistêmico. Monografia - Curso de Antropologia, Instituto de Humanidades,
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2023.