Resumen:
Nos Estados Unidos, em meio às circunstâncias ameaçadoras de uma sociedade
estruturalmente racista, imperialista e patriarcal, Toni Morrison tece, com fios de vida e
memória, a escrita do romance O olho mais azul (1970), sua primeira produção literária
publicada. A obra ecoa como um chamado ancestral, convocando forças que abrem caminhos
e vão ao encontro do desejo coletivo pela emancipação social da população negra
estadunidense. Na tentativa de dar continuidade a esse movimento, este trabalho propõe
elaborar uma leitura crítica da obra O olho mais azul, tendo por foco analítico as
representações do racismo na infância, expressas na narrativa, com destaque para a elaboração
da personagem protagonista Pecola Breedlove. Além disso, apresentaremos possíveis
contrapontos, ao longo da leitura, ao abordarmos outras personagens da trama que oferecem
caminhos que rompem com “labirinto branco” (LORDE, 2019), como a
personagem-narradora Claudia MacTeer. Para tanto, a pesquisa destaca uma breve introdução
sobre o papel social da autora e sua escrita negra-feminina como ferramentas políticas
criativas de enfrentamento às narrativas dominantes, em seguida apresentaremos uma leitura
crítica do romance a partir de diálogos teóricos com o pensamento de Neusa Santos Souza
(1983), Angela Davis (2016), Audre Lorde (2019), Frantz Fanon (2008), entre outras/os. Por
fim, a pesquisa busca traçar interlocuções sobre a escrita negra afro-americana que tece
quilombos epistêmicos e literários como pontes que rompem com os abismos entre mulheres
de cor no contexto da diáspora.
Descripción:
OLIVEIRA, Sara Maria Silva de. Racismo, infância e representação em O olho mais azul, de Toni Morrison. 2021. 22f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literatura, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-CE, 2021.