Resumo:
O fenômeno da ameaça da extinção dos idiomas tem ganhado atenção dos estudos de
Sociolinguística e Ecolinguística. A internacionalização dos idiomas, impulsionada pela
expansão colonial e depois pela globalização, acompanhada dos outros fatores como catástrofes
naturais, genocídios, epidemias, migração, e a pressão das línguas oficiais e econômicas
transformam parte dos idiomas em minoritários, causando o desuso, desvitalização e
desvalorização, considerando que um idioma se sujeita à extinção quando seus falantes usam
essa língua em um número cada vez mais reduzido nos domínios comunicativos ou deixam de
transmiti-la de geração em geração, a situação em que se encontra a língua Biafada, surgiu a
necessidade de investigar por meio de abordagem qualitativa e bibliográfica, os fatores que
influenciam na supressão das línguas étnicas da Guiné-Bissau, nomeadamente a língua Biafada.
Sendo um país multilíngue e intercultural, contendo mais de 20 línguas étnicas: Biafada,
Manjaca, Papel, Mancanha, Balanta, Fula, Mandinga, Felupe, Bijagó, Djólas, Bayotes,
Tandas, Bambaras, Nalus, Sussus, Cassancas, Saraculés, Padjadincas, Banhus, Banhucus,
Djacancas, Soninkés, Nhómincas, Cobianas, entre outras, houve época em que estes grupos
étnicos viviam em comunidades isoladas ou seja, havia pouca interação étnica entre as
comunidades, o que lhes atribuía status das línguas sólidas e hereditária dentro das suas
comunidades, deixando assim, pouca probabilidade de um falante nascer e crescer sem saber
falar a língua do seu grupo étnico. Com o estudo, percebe-se que as interações étnicas forçadas
pela colonização, luta pela independência nacional, escolarização e a urbanização
pós-independência, culminando com ascensão e prestígio da língua portuguesa e o crioulo entre
outros aspectos, ocasionaram a supressão das línguas étnicas da Guiné-Bissau. A língua Biafada
sendo uma idioma utilizado oralmente, por todas as gerações, mas apenas alguns membros da
geração o transmitem aos filhos, torna-se possível evidenciar que está perdendo espaços de uso
em termo de números dos falantes; o que demanda a elaboração das estratégias que visem
conscientizar os Biafadas na preservação e transmissão de seu patrimônio linguístico, começa
no foco na oralidade - poesia étnica, lendas e mitos, história e na sistematização por meio da
escrita.
Descrição:
DABÓ, Bacar. A supressão da língua Biafada e a ausência de políticas linguísticas na Guiné Bissau. 2023. f31. TCC - Curso de Língua Inglesa, Instituto de Linguagens e Literaturas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-CE, 2023.