Resumo:
Desde a concepção até a adolescência, o cérebro humano em desenvolvimento atravessa
transformações profundas que moldam o comportamento, a cognição e as habilidades
socioemocionais, tornando-o especialmente sensível a influências ambientais. Entre essas
influências, os desreguladores endócrinos (DEs) – como ftalatos, bisfenol A (BPA), substâncias
perfluoroalquiladas (PFAS), compostos organoclorados e o dietilestilbestrol (DES), dentre
outros – emergem como ameaças significativas ao interferirem nas funções hormonais
essenciais para o neurodesenvolvimento. Diante da natureza multifatorial do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) e do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é
imperativo compreender como a exposição a DEs pode atuar como desencadeante ou
exacerbador dessas condições, contribuindo para estratégias de prevenção e intervenções que
protejam o desenvolvimento neuropsiquiátrico infantil e adolescente. Dessa forma, este
trabalho teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura, analisando os estudos
disponíveis sobre a exposição aos principais tipos de DEs e seus efeitos no desenvolvimento de
TEA e TDAH em crianças e adolescentes. Para identificar estudos relevantes que pudessem
responder à questão central, foi realizada uma busca sistemática nas bases de dados SCIELO,
PubMed e Science Direct. A busca inicial resultou em 1.694 estudos e, após a aplicação de
critérios de seleção e elegibilidade, 13 estudos foram incluídos na síntese qualitativa final. De
forma geral, os estudos sobre a relação entre DEs e TEA apresentam resultados variados:
enquanto algumas pesquisas apontaram para associações significativas entre a exposição pré-
natal a compostos como triclosan e BPA e o aumento de sintomas de TEA, com variações entre
meninos e meninas, outras não identificaram vínculos sólidos. Em contraste, os achados para
TDAH foram mais consistentes, com diversas pesquisas confirmando que a exposição a ftalatos
e outros DEs, tanto na gestação quanto na infância e adolescência, está associada ao aumento
de sintomas de desatenção e hiperatividade, embora com algumas diferenças de
susceptibilidade entre os sexos. Os achados desta revisão apontam para a contínua necessidade
de estudos metodologicamente robustos sobre os impactos dos DEs na saúde infantil, que
examinem diversas janelas de exposição e considerem efeitos diferenciais, como os
relacionados ao sexo biológico, dentre outros fatores. Esse avanço é fundamental para
aprofundar o entendimento sobre a influência dos DEs no neurodesenvolvimento de fetos,
crianças e adolescentes e para fundamentar estratégias e políticas eficazes voltadas à promoção
da saúde e do neurodesenvolvimento infanto-juvenil.
Descrição:
AQUINO, Alanna Leticia do Carmo. Revisão integrativa sobre a influência dos desreguladores endócrinos no TDAH e autismo na infância e na adolescência. 2024, 25f. TCC - Curso de Farmácia, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará,
2024.