Abstract:
O presente estudo analisa as diferenças estruturais entre trabalhadores formais e
informais no Brasil no período de 2012 a 2023, utilizando microdados e dados tratados
provenientes da PNADC, SIDRA, CAGED e da Base do Seguro-Desemprego. O
objetivo central é compreender, de maneira estatística descritiva e comparativa, como
características socioeconômicas, educacionais, regionais e ocupacionais distinguem
esses dois grupos no mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa é caracterizada como
quantitativa, descritiva e documental, apoiando-se em medidas estatísticas de
tendência central e dispersão, bem como em testes não paramétricos de Mann–
Whitney U e Qui-quadrado, adotados devido à ausência de normalidade das variáveis
contínuas. O tratamento dos dados envolveu o uso de ferramentas de análise
computacional, como Google BigQuery e Python, o que permitiu integrar grandes
volumes de informações e assegurar rigor metodológico. A análise dos dados revela
a existência de uma segmentação persistente no mercado de trabalho brasileiro. Os
trabalhadores formais apresentam, em média, níveis mais elevados de renda,
escolaridade, estabilidade ocupacional e proteção previdenciária. Por outro lado, os
trabalhadores informais se concentram em ocupações de baixa remuneração,
possuem jornadas mais irregulares, menor escolaridade e acesso limitado à
seguridade social. Essas diferenças indicam a presença de barreiras estruturais que
dificultam a mobilidade entre os segmentos formal e informal. Do ponto de vista
territorial, o estudo identifica forte disparidade regional. As regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste apresentam as maiores taxas médias de formalidade ao longo dos anos
analisados, refletindo estruturas produtivas mais diversificadas e maior densidade
industrial e de serviços formais. Em contraste, Norte e Nordeste exibem os maiores
percentuais de informalidade, resultado de menor dinamismo econômico,
desigualdades históricas e presença expressiva de ocupações autônomas e de baixa
produtividade. Essas diferenças regionais reforçam o caráter heterogêneo do mercado
de trabalho brasileiro e evidenciam como fatores territoriais condicionam o acesso ao
emprego formal. Características como cor/raça, escolaridade e tipo de inserção
ocupacional influenciam significativamente a probabilidade de estar no setor informal.
Pessoas negras, trabalhadores com baixa escolaridade e indivíduos inseridos em
ocupações por conta própria ou em setores de baixa complexidade apresentam maior
propensão à informalidade. Já setores como administração pública, serviços
especializados e atividades industriais concentram maior proporção de vínculos
formais. Os resultados permitem concluir que a informalidade no Brasil possui
natureza estrutural, sendo influenciada por desigualdades sociais, educacionais e
regionais, além de limitações institucionais que afetam a capacidade de expansão do
emprego formal. Diante desse cenário, políticas públicas voltadas à qualificação
profissional, fortalecimento institucional, diversificação produtiva regional e inclusão
socioeconômica mostram-se fundamentais para reduzir a informalidade e promover
maior equidade no mercado de trabalho.
Description:
. JOSÉ, Agostinho Chissengue ManuelDiferenças estruturais entre trabalhadores formais e informais no Brasil: uma análise estatística descritiva e comparativa. 2025. 86f. TCC - Curso de Administração Pública, Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2025.