| dc.description.abstract |
A presente pesquisa, intitulada Narrativas africanas e afro-brasileiras na obra “Histórias da Preta”, de Heloisa Pires Lima, tem como objetivo discutir e problematizar as representações das culturas africanas e afro-brasileiras presentes na referida obra literária. O problema que norteia o estudo consiste em compreender como essas representações se constroem na obra Histórias da Preta (1998). A escolha da obra justifica-se pelo pioneirismo e pela relevância do trabalho da autora, que antecede a Lei nº 10.639/2003, responsável por tornar obrigatório o ensino de História da África e das culturas afro-brasileiras no currículo escolar. Nesse sentido, a obra configura-se como um exemplo de como a literatura pode contribuir para a promoção de uma educação antirracista, ao apresentar representações das culturas africanas e afro-brasileiras de forma valorizada e não estereotipada, em contraposição às representações da população negra, muito presentes até então na literatura infantojuvenil. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, desenvolvida no âmbito dos estudos literários voltados para a literatura infantojuvenil. O estudo fundamenta-se em autores como Nelly Novaes Coelho (2000), Marisa Lajolo e Regina Zilberman (1986; 2007; 2017), Lígia Cademartori (1988), Eliane Debus (2012; 2013) e Roger Chartier (1999), além de Evaristo (2009), Cuti (2010), Fonseca (2006) e Duarte (2011), cujas contribuições possibilitam traçar a trajetória da literatura infantojuvenil no Brasil a partir da década de 1970, bem como compreender sua relação com o mercado editorial, problematizar a materialidade do livro e analisar o processo de valorização da literatura negra e afro-brasileira no campo literário. Os resultados do estudo evidenciam que a obra Histórias da Preta contribui para a ampliação das representações positivas das culturas africanas e afro-brasileiras na literatura infantojuvenil, ao apresentar personagens, narrativas e referências culturais que rompem com perspectivas eurocêntricas e estigmatizadas historicamente presentes no campo literário. Observa-se que a narrativa valoriza saberes, memórias e experiências afro-diaspóricas, colaborando para o fortalecimento de identidades e para a construção de repertórios culturais mais plurais no contexto escolar. Além disso, a análise permite compreender que a obra se antecipa às demandas que posteriormente seriam institucionalizadas pela Lei nº 10.639/2003, configurando-se como um importante recurso pedagógico para práticas educativas comprometidas com a valorização da diversidade cultural e com a promoção da educação para as relações étnico-raciais. |
pt_BR |