Resumen:
Esta pesquisa tem como objeto de estudo o uso da linguagem pelo professor de Língua
Portuguesa no Ensino Médio, partindo da compreensão de que a linguagem se constitui como
uma prática social que organiza e dá sentido às interações pedagógicas, com foco na atuação
junto a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo deste estudo é analisar
o uso da linguagem pelo professor como prática social na interação pedagógica com estudantes
com TEA, de acordo com a perspectiva da Linguística Sistêmico-Funcional (Halliday, 1978),
compreendendo a língua como instrumento de interação social e construção de significados.
Problematiza-se em que medida a formação linguística dos docentes subsidia o uso da
linguagem como prática social, na mediação pedagógica, com estudantes com TEA,
considerando as especificidades comunicativas e pragmáticas desse público. Nesse sentido, o
estudo articula quatro eixos teóricos fundamentais: Linguística Funcional (Halliday, 1978;
Neves, 2006), Educação Inclusiva (Mantoan, 2003; Ainscow, 2009), Transtorno do Espectro
Autista (Orrú, 2017) e Formação Docente (Tardif, 2014; Gatti, 2012), estabelecendo diálogo
com as políticas educacionais brasileiras, especialmente a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista
(qualitativa e quantitativa), de natureza descritivo-analítica, realizada com professores de
Língua Portuguesa que atuam no Ensino Médio em escolas públicas urbanas: três escolas do
Maciço de Baturité-CE e três escolas da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A
investigação focaliza a formação inicial e continuada desses docentes, bem como suas
percepções, práticas e dificuldades. Os resultados inicialmente caracterizam o perfil dos
participantes, revelando que a maioria possui formação restrita a matrizes tradicionais e relata
severa insegurança na mediação da neurodiversidade por escassez de capacitação específica.
Em seguida, emergem três categorias temáticas da interface entre a fundamentação sistêmicofuncional e a realidade da inclusão: Concepções de Linguagem e o Papel do Docente Mediador;
Percepções Docentes sobre as Práticas de Linguagem no Contexto do TEA; e Estratégias de
Mediação e Modulações de Registro. Os achados principais evidenciam lacunas significativas
na formação linguística dos professores, sobretudo na operacionalização de práticas
comunicativas inclusivas. Embora os docentes reconheçam a importância da inclusão,
observam-se dificuldades na adaptação da linguagem às necessidades dos alunos com TEA,
sobretudo no que diz respeito à explicitação de comandos, à organização discursiva, à redução
de ambiguidades e à mediação de interações. Conclui-se reforçando a necessidade de uma
formação docente que integre os fundamentos teóricos da Linguística Funcional às demandas
da educação inclusiva, possibilitando ao professor o uso intencional, estratégico e sensível das
variáveis de registro.
Descripción:
Martins, Regina Lucia Coelho. A formação linguística do docente do ensino médio para atuação com
estudantes com TEA. 2026. 108 f. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (MEL). Instituto de Linguagens e Literaturas - ILL, Universidade da Integração
Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Redenção, 2026.