Resumo:
Este trabalho tem como objetivo analisar como o Kuduro atua como uma forma de
voz popular capaz de criticar desigualdades, reivindicar direitos, desconstruindo a
marginalização histórica associada ao gênero, demonstrando que o estilo, mais do que um
gênero musical, constitui um espaço de representação da experiência popular angolana.
Embora historicamente associado à periferia e alvo de preconceitos, o gênero revela-se como
campo discursivo no qual sujeitos subalternizados expressam vivências, desigualdades e
perspectivas sobre o cotidiano urbano. A partir da análise das músicas “Angola bwé de
caras”, de Dog Murras, e “Vamos aonde”, de Bruno M, investiga-se como esses artistas têm
no Kuduro a matéria para denunciar injustiças sociais, reivindicar direitos e reconstruir
simbolicamente a imagem do estilo. O estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa,
interpretativa e também bibliográfica (Moorman, 2023; Muzombo, 2020; Netto, 2016)
articulada à análise literária das letras e o contexto histórico-social do gênero em Angola. Os
resultados evidenciam que o Kuduro funciona como instrumento de consciência e
intervenção social, fortalecendo a memória coletiva e contribuindo para desconstruir a
marginalização histórica atribuída ao gênero.
Descrição:
FONSECA, Cláudia Pinto. Desmistificando o Kuduro: uma análise de “Angola bwé de caras”. 2025. 25f. TCC - Curso de Língua Portuguesa, Instituto de Linguagens e Literaturas, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2025.