Resumo:
O artigo visa analisar as mandjuandadi como uma prática cultural e as cantigas de dito como literatura oral e performance poética africana. Uma arte tradicionalmente praticada por mulheres como expressão genuína da Guiné-Bissau. O texto busca explorar aspectos do potencial pedagógico desse cancioneiro popular na escola, como expressão artística e artefato cultural da cultura guineense. Uma pedagogia ancestral exercida por mulheres nos quintais, nas praças e espaços públicos. O estudo tem como principal referência as reflexões da pesquisadora Maria Odete da Costa Soares Semedo: As mandjuandadi – cantigas de mulher na Guiné-Bissau: da tradição oral à literatura, fonte inspiradora desta pesquisa, que se articula com os conceitos de representação e práticas culturais dos estudos da chamada História Cultural, bem como as noções de literatura oral ou oralitura e a perspectiva educativa emancipatória proposta por Paulo Freire, para a análise das Madjuandadi como uma modalidade de educação popular no continente africano. A exploração das possibilidades de uso desse cancioneiro na escola, está direcionada ao aprendizado e o desenvolvimento de práticas educativas que possam incidir sobre a razão colonial que resiste na cultura e no cotidiano escolar guineense. Nessa direção, busca-se ler a poética para se entender a política das Mandjuandadi, como forma de intervenção pedagógica transformadora na educação e na sociedade.
Descrição:
INDAMI, Zinha Nhaga. Mandjuandadi, desabafo ou denuncia: as Cantigas de Dito de Guiné-Bissau como literatura e mecanismo pedagógico. 2025. 18 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia) - Instituto de Humanidades e Letras dos Malês, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, São Francisco do Conde, 2025.